sábado, 28 de janeiro de 2012

"MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES": ROONEY MARA BRILHA E DANIEL CRAIG TEM SEU MELHOR MOMENTO NAS TELONAS

A personagem Lisbeth Salander se tornou um ícone cultural e sexual do nosso tempo: ela é, ao mesmo tempo, uma garota frágil, de visual andrógino,lotada de piercings e sempre metida em roupas de couro preto, e uma garota fragilizada, desesperada em busca de proteção e, uma vez que não encontra isso, precisa se defender sozinha.

Rooney Mara - indicada ao Oscar de melhor atriz - é quem dá vida a Lisbeth em "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres" - que estreia nesta sexta (27) aqui no Brasil - e quando está em cena fica impossível desviar os olhos da telona.

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Rooney Mara como Lisbeth: impossível não se deixar arrebatar

O sucesso da personagem - a melhor coisa da trilogia de livros do sueco Stieg Larsson - é justificado, não apenas porque ela mostra-se capaz de penetrar nos computadores mais remotos e protegidos, mas porque ela representa a fragilidade e a força que existem dentro de cada pessoa.

Na adaptação feita pelo diretor  David Fincher - de "Clube da Luta" - Mara, assim como a atriz sueca Noomi Rapace - que fez a personagem na trilogia original -, encontra a dimensão humana exata dessa figura enigmática -  e é bem legal ver como as duas atrizes optam por diferentes linhas de interpretação para a mesma personagem.

Se na versão de 2009 - dirigida pelo dinamarquês Niels Arden Oplev - embora repleta de energia, parecia um piloto de série de TV  perto do filme de Fincher - que escancara a altíssima voltagem sexual que ficava no subtexto dos livros.

O roteiro de Steven Zaillian - de "Gangues de Nova York" - nem sempre consegue contornas as armadilhas narrativas do original, como a grande explicação que o vilão dará na cena climax, ou a ingenuidade de Larsson em abordar o universo da mídia - logo ele, que trabalhou como jornalista até sua morte em 2004, aos 50 anos.

Aqui, Fincher e Zaillian conseguiram transformar a conclusão da história em algo mais cinematográfico, mudando algumas personagens do livro, onde a trama navega entre passado (nazismo) e presente (ciberespaço) e o que as une é um jornalista abelhudo que acaba de ser condenado por calúnia - veredicto injusto, como ele tentará provar.

O jornalista Mikael Blomkvist é interpretado com a competência de sempre por Daniel Craig - o atual James Bond - só que, perto de Lisbeth/Rooney ele desaparece quase por completo, mais por culpa do personagem - que é assim mesmo - do que do ator - que tem aqui o melhor momento de sua filmografia.

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Rooney Mara e Daniel Craig, em cena do filme

No ostracismo depois de afastar-se da revista "Millennium", Mikael aceita um trabalho de detetive, contratado por um ricaço - a lenda Christopher Plummer, o inesquecível Capitão Von Trapp de "A Noviça Rebelde" - que procura uma sobrinha desaparecida há quarenta anos.

A partir daí, a trama envolvendo o mundo jornalístico e o processo de Mikael se cruza com a da investigação, quando o contratante oferece como pagamento provas contra o sujeito a quem o jornalista acusou e foi condenado por calúnia - pena que isso nunca é bem resolvido.

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Christopher Plummer - indicado ao Oscar de ator coadjuvante - e Daniel Craig, em cena do filme

A história de Lisbeth, órfã que depende de um tutor - Yorick van Wageningen - pouco escrupuloso, que libera o dinheiro da garota em troca de favores sexuais, encontra Mikael no meio de investigação e a torna uma figura fundamental.

A sobrinha desaparecida faz parte da família Vanger, pessoas estranhas, ricas e esnobes, e onde Mikael fala apenas com Martin - Stellan Skarsgård, de "Melancolia" -, empresário que assumiu o lugar do tio ricaço e irmão da desaparecida - os demais são seres que beiram o fantasmagórico - quase sempre surgindo do nada e aconselhando o jornalista abandonar a investigação.

Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi a neve, que cai sempre e muito, e onde a telona aparece na maioria das vezes coberta do branco gélido que parece também penetrar até os ossos dos personagens.

Nesse sentido, Lisbeth é um palito de fósforo aceso - comparação que fará mais sentido nos próximos filmes - derretendo a capa que protege essas pessoas.

O diretor Fincher - em uma direção elegante e cheia de estilo - não decepciona, mas, às vezes, parece ser tomado pelo frio que o leva para longe da explosão de emoções que vão incendiar a hacker e o jornalista.

Como toda boa adaptação de um romance, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" tem como ponto de partida a obra original, recriando em forma de cinema a trama literária e, por mais talentoso e técnico que Fincher seja, há algumas limitações da narrativa que ele não consegue se livrar - principalmente os exageros dos livros de Larsson - mas, mesmo assim, o diretor faz aqui um filme muito bom.

Ele sabe que, no fundo, está lidando com uma trama policialesca e rocambolesca, onde o centro está no horror - nas mais diversas formas -, especialmente quando se materializam os homens especificados no título.

Se Rooney Mara está cotadíssima para o Oscar de melhor atriz, e o veterano Christopher Plummer pode levar a estatueta de melhor ator coadjuvante, a tristeza fica por conta da não indicação de Daniel Craig - o ator, assim como Leonardo DiCaprio em "J.Edgar", bem que merecia.

Confira o trailer do filme:

*****
"MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES"
Título original:
The Girl with the Dragon Tattoo
Diretor:
David Fincher
Elenco:
Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Goran Visnjic, Embeth Davidtz, Joely Richardson, Joel Kinnaman, Elodie Yung, Julian Sands
Produção:
Ceán Chaffin, Scott Rudin, Søren Stærmose, Ole Søndberg
Roteiro:
Steven Zaillian, baseado na obra de Stieg Larsson
Fotografia:
Jeff Cronenweth
Trilha Sonora:
Trent Reznor, Atticus Ross
Duração:
158 min.
Ano:
2011
País:
EUA/ Suécia/ Reino Unido/ Alemanha
Gênero:
Suspense
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Film Rites/ Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)/ Scott Rudin Productions/ Columbia Pictures/ Yellow Bird Films
Classificação:
16 anos

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