segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

GLOBO DE OURO: OPRAH BRILHA NA NOITE EM QUE TODAS FORAM DE PRETO E 'ANÚNCIOS PARA UM CRIME' E 'BIG LITTLE LIES' SAÍRAM VENCEDORES

<>
Mais uma vez, Hollywood deu ao público uma cerimônia com discurso histórico, agora da maior apresentadora da TV americana de todos os tempos
<>

Aconteceu neste domingo (7), em Los Angeles, a 75ª edição do Globo de Ouro, um dos prêmios mais importantes do cinema e da TV e promovido pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood.

O grande vencedor da noite foi 'Três Anúncios Para Um Crime',longa que levou quatro troféus, incluindo os de "melhor filme", "melhor roteiro" e "melhor atriz" para Frances McDormand.

O suspense retrata a história de uma mãe que chega a limites extremos para fazer justiça após a morte de sua filha e foi um dos selecionados para a Mostra Internacional de São Paulo.

O longa estreia em 15 de fevereiro aqui no Brasil.

Confira o trailer:


Guillermo Del Toro faturou o prêmio de "melhor diretor" por 'A Forma Da Água' em uma categoria dominada por homens.

Apesar de liderar com o maior número de indicações, o filme só venceu em duas categorias.

'Lady Bird', dirigido pela musa indie Greta Gerwig, foi eleito o "melhor filme de comédia".

O longa é uma das fortes apostas para levar a cobiçada estatueta do Oscar e a vitória no Globo de Ouro o deixa cada vez mais perto de seu objetivo.

Pelo mesmo filme, a talentosa Saoirse Ronan levou o prêmio de "melhor atriz de comédia".

Já a lenda Gary Oldman venceu como "melhor ator de drama" pelo seu brilhante trabalho de interpretação como o primeiro ministro britânico Winston Churchill em 'O Destino De Uma Nação'.

A disputada categoria tinha nomes de peso como Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma), Timothée Chalamet (Me Chame pelo Seu Nome), Tom Hanks (The Post) e Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq).

Apesar de estarem bem cotados nas apostas, o suspense 'Corra!' e o drama de guerra 'Dunkirk' acabaram não vencendo em nenhuma das categorias pelos quais foram indicados.

Já nas categorias de TV, as favoritas 'The Handmaid's Tale' e 'Big Little Lies' dominaram, sem dar chances aos concorrentes.

Enquanto a distopia, exibida pela plataforma Hulu e inspirada na obra de Margareth Antwood, levou dois importantes prêmios para casa - de melhor atriz e melhor série dramática - a minissérie da HBO levou nada menos do que quatro troféus na noite, de um total de seis indicações.

A cerimônia foi cheia de momentos emocionantes, dentre eles as homenagens à última das lendas da Era de Ouro de Hollywood, Kirk Douglas - atuais 102 anos, que subiu ao palco ao lado da nora Catherine Zeta-Jones e foi ovacionado de pé por longos minutos pela plateia.

Kirk Douglas e a nora, no Globo de Ouro - Getty
Já o grande momento da noite aconteceu na entrega do prêmio pelo conjunto da obra: a apresentadora, atriz e filantropa Oprah Winfrey comoveu a todos, ao discorrer sobre a importância da força feminina em um discurso dedicado a jovem Recy Taylor, sequestrada e violentada em 1944 e que nunca viu os seus algozes serem punidos.

Confira:

O discurso de Oprah:
"Em 1964 eu era uma menininha sentada no piso de linóleo na casa da minha mãe em Milwaukee, assistindo à Anne Bancroft apresentar o Oscar de Melhor Ator na 36ª edição do prêmio. Ela abriu o envelope e disse cinco palavras que literalmente fizeram História: 'o vencedor é Sidney Poitier'.

Subiu ao palco o homem mais elegante que eu já tinha visto. Eu me lembro que sua gravata era branca e, é claro, sua pele era negra, e eu nunca tinha visto um homem negro ser celebrado daquela forma. E eu tenho tentado muitas e muitas vezes explicar o que um momento como aquele significa para uma garotinha, uma criança assistindo dos assentos baratos, enquanto minha mãe entrava pela porta, cansada até os ossos de limpar as casas de outras pessoas. Mas tudo o que eu posso fazer é citar e dizer que a explicação está na performance de Sidney em Uma Voz Nas Sombras, 'Amém, Amém... Amém, Amém'.

Em 1982, Sidney recebeu o prêmio Cecil B. DeMille aqui mesmo no Globo de Ouro. E eu tenho consciência de que, neste momento, há meninas assistindo enquanto eu me torno a primeira mulher negra a receber o prêmio. É uma honra e um privilégio compartilhar esta noite com todas elas, e também com os homens e mulheres incríveis que me inspiraram e desafiaram, que me sustentam e que fizeram minha jornada até este palco possível. Dennis Swanson, que apostou em mim para AM Chicago, Quincy Jones que me viu naquele show e disse para Steven Spielberg, 'Sim, ela é Sophia de A Cor Púrpura', Gayle que é a definição do que é um amigo e Stedman, que é minha rocha. Para citar apenas alguns nomes.

Quero agradecer à Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood. Vocês todos sabem que a imprensa está cercada hoje em dia. Vocês também sabem que é a dedicação insaciável para descobrir a verdade absoluta que nos impede de fechar os olhos ao corporativismo e à injustiça. Aos tiranos e vítimas e segredos e mentiras. Quero dizer que valorizo a imprensa mais do que nunca, enquanto tentamos navegar através destes tempos complicados. O que me traz a isto...

O que eu sei com certeza é que dizer a sua verdade é a ferramenta mais poderosa que todos nós temos. Eu tenho especial orgulho e inspiração por todas as mulheres que se sentiram fortes o suficiente, empoderadas o suficiente para erguer a voz e compartilhar suas histórias pessoais. Cada um de nós nesta sala somos celebrados por causa das histórias que contamos. E, este ano, nós nos tornamos as histórias. Mas não é apenas a história que afeta a indústria do entretenimento. É uma que transcende cultura, geografia, raça, religião, política ou ambiente de trabalho.

Então eu quero, esta noite, expressar minha gratidão a todas as mulheres que suportaram anos de abuso e assédio por que elas, como minha mãe, tinham filhos para alimentar e contas para pagar e sonhos para perseguir. Elas são as mulheres cujos nomes nós nunca saberemos. São trabalhadoras domésticas e rurais. Elas trabalham em fábricas e em restaurantes e na academia, e em engenharia e medicina e ciência. Elas são parte do mundo da tecnologia e da política e dos negócios. São atletas nas Olimpíadas e soldados no exército. E há mais alguém, Recy Taylor. Um nome que eu acho que vocês também deveriam conhecer.

Em 1944, Recy Taylor era uma jovem esposa e mãe. Ela estava andando da igreja para casa quando foi sequestrada por seis homens brancos armados, estuprada e deixada no canto da estrada. Eles ameaçaram matá-la se ela algum dia contasse para alguém. Mas a história dela foi reportada à NAACP, onde uma jovem mulher chamada Rosa Parks assumiu a investigação do seu caso. E, juntas, elas buscaram justiça. Mas justiça não era justiça na era de Jim Crow, e os homens que tentaram destruí-la nunca foram processados. Recy Taylor morreu dez dias atrás, às vésperas do seu 98º aniversário. Ela viveu, como nós temos vivido, anos demais numa cultura ferida pela brutalidade de homens poderosos. Por tempo demais as mulheres não têm sido ouvidas, ou acreditadas se elas ousassem falar sua verdade diante do poder daqueles homens. Mas o tempo deles acabou... O tempo deles acabou.

Apenas espero que Recy Taylor tenha morrido sabendo que a sua verdade, como a verdade de tantas outras mulheres que foram atormentadas naqueles anos, e mesmo agora ainda são, segue marchando em frente. Ela estava em algum lugar no coração de Rosa Parks, quase onze anos depois, quando ela decidiu se sentar naquele ônibus em Montgomery. E está aqui, em cada mulher que escolhe falar "eu também" e em cada homem que escolhe ouvir.

Na minha carreira, eu sempre tentei fazer o meu melhor para, fosse na televisão ou no cinema, dizer algo sobre como homens e mulheres realmente se comportam. Para falar sobre como experimentamos vergonha, como amamos, como nos enraivescemos, falhamos, nos retraímos, perseveramos, e como superamos. Eu entrevistei e retratei pessoas que suportaram algumas das coisas mais feias que a vida pode jogar sobre você, mas uma qualidade que todos eles parecem ter em comum é a habilidade de manter a esperança por uma manhã mais ensolarada. Mesmo durante nossas noites mais escuras.

Então, quero que todas as meninas que estão assistindo aqui e agora saibam que um novo dia está no horizonte! E quando esse dia finalmente chegar, será graças a muitas mulheres magníficas, muitas das quais estão aqui neste salão agora, e a alguns homens fenomenais que estão lutando para garantir que elas se tornem as líderes que nos levarão ao tempo em que ninguém, nunca mais, precisará dizer 'eu também' de novo."

Foi o ponto alto da noite, em que estrelas como Meryl Streep, Emma Watson, Susan Sarandon, Angelina Jolie, Gal Gadot, Emma Stone, Jessica Chastain e muitas outras optaram por comparecer com figurinos pretos, como forma de repúdio aos casos de assédio sexual em Hollywood, que vieram à tona nos últimos meses.

A tendência teve início no Globo de Ouro, mas poderá ser utilizada durante toda a temporada de premiações, incluindo no tapete vermelho do Oscar.

Atrizes vestindo preto posam durante a cerimônia - Getty Images

Foram diversos relatos de assédio e abuso sexual nos últimos meses. 

Atores e atrizes de peso contaram as situações envolvendo nomes como Harvey Weinstein, Kevin Spacey, Louis CK e Brett Ratner.

Apresentado novamente pelo comediante Seth Meyers, que não economizou nas piadas afiadas e brincou sobre como os homens presentes na cerimônia estavam nervosos por ouvirem os seus nomes em voz alta, o assédio foi definitivamente o mote da noite.

Mas não faltaram piadas para o presidente Donald Trump e os supremacistas brancos norte-americanos.

O apresentador da noite, Seth Meyers - The Independent

Confira os vencedores do Globo de Ouro 2018:

CATEGORIAS DE CINEMA: 

Melhor Filme - Drama
Três Anúncios Para Um Crime 

Melhor Filme - Comédia e musical
Lady Bird

Melhor animação
Viva: A Vida é uma Festa

Melhor filme língua estrangeira
Em Pedaços - Aus dem Nichts (original title)

Melhor ator de filme - Drama
Gary Oldman - O Destino de uma Nação

Melhor atriz de filme - Drama
Frances McDormand - Três Anúncios Para um Crime

Melhor ator - Musical ou comédia
James Franco - Artista do Desastre

Melhor atriz de filme - Musical ou comédia
Saoirse Ronan - Lady Bird: É Hora de Voar

Melhor ator coadjuvante de filme
Sam Rockwell, Três Anúncios Para um Crime

Melhor atriz coadjuvante de filme
Octavia Spencer, A Forma da água

Melhor diretor de filme
Guillermo del Toro, A Forma da Água

Melhor roteiro de filme
Três Anúncios Para um Crime - Martin McDonagh

Melhor trilha sonora para filme
A Forma da Água - Alexandre Desplat

Melhor música original para filme
O Rei do Show – 'This Is Me' 

CATEGORIAS DE TV:

Melhor série de TV (Drama)
The Handmaid's Tale

Melhor ator em série (Drama)
Sterling K. Brown, This is Us

Melhor atriz em série (Drama)
Elisabeth Moss, The Handmaid's Tale

Melhor série - Musical ou comédia
The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor ator em série (Musical/Comedia)
Aziz Ansari – Master of None

Melhor atriz em série (Musical/Comedia)
Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor filme para TV ou série limitada
Big Little Lies

Melhor ator em série limitada ou filme feito para TV
Ewan McGregor, Fargo

Melhor atriz de série limitada ou filme feito para TV
Nicole Kidman - Big Little Lies

Melhor ator coadjuvante em série limitada ou filme feito para TV
Alexander Skarsgård - Big Little Lies

Melhor atriz coadjuvante em série limitada ou filme feito para TV
Laura Dern - Big Little Lies

Nenhum comentário:

Postar um comentário