quinta-feira, 29 de março de 2012

'AVENIDA BRASIL' RECRIA HISTÓRIA DE BRANCA DE NEVE, COM BOM ROTEIRO E ELENCO IRREGULAR


Era uma vez uma menina, esperta e lindinha, que vivia com seu papai e sua madrasta, que a detestava.

Um dia, papai morreu e a madrasta prontamente chama um capanga e manda que ele levasse a menina, esperta e lindinha, para um lugar distante e perigoso, para que ela nunca mais voltasse para aborrecer sua vida - se ele a matar, melhor.

Só que a menina, esperta e lindinha, cresce, arruma amigos e volta para botar fogo no barraco da madrasta!

Conhece essa história?

Através dos tempos, a trama de "Branca de Neve" - conto escrito pelos irmãos Grimm e publicado entre os anos de 1812 e 1822 - já teve inúmeras versões, mas sempre começa com a madrasta que quer matar a enteada.

Essa é a trama principal da nova novela das 21h da Globo, "Avenida Brasil", que estreou na última segunda (26), com a nada fácil missão de substituir a campeã de audiência "Fina Estampa" no coração do telespectador brasileiro.

Na novela de João Emanuel Carneiro, a floresta do conto original virou um lixão da baixada fluminense e a rainha má agora atende pelo nome de Carmen Lúcia - ou Carminha - vivida com surpreendente verdade por Adriana Esteves e que não está interessada em ser a mais bela do reino - só a mais rica.

A trama terá duas fases: nessa primeira, a ação se passa em 1999 e os primeiros capítulos foram eletrizantes, com uma produção primorosa e imagens com textura de cinema e ainda com poucos personagens.

O capítulo de estreia teve final de campeonato no Maracanã, com vitória do Flamengo assegurada pelo gol decisivo de Tufão - Murilo Benício - craque descoberto no Divino Futebol Clube, bairro do Rio de Janeiro onde a maioria dos personagens mora.

Teve humor, com as peripécias de Cadinho - Alexandre Borges - pela enésima vez fazendo um milionário com jeito de Don Juan, nascido no Divino, casado com três mulheres.

E teve drama: com a ajuda da filha, Genésio - Tony Ramos - descobre que sua segunda mulher, Carminha,  é uma megera interessada apenas em seu dinheiro.

A última cena antecipou os próximos passos do folhetim: chovendo forte, o campeão Tufão está voltando para Divino quando atropela Genésio.
Morrendo, o contador tenta alertar o jogador sobre Carminha, mas consegue dizer apenas o nome da mulher, o que abre mil possibilidades.
Reprodução da TV
Genésio morre atropelado por Tufão: precisava gastar o Tony Ramos

Depois de passar muitos anos fazendo papéis opacos, muito aquém do seu imenso talento, Adriana Esteves mostrou nesse início que tem aqui o melhor papel de sua carreira: sua Carminha é vulgar, egoísta e verdadeira, e não mede esforços para roubar o marido nem se livrar da enteada.
Divulgação/TV Globo
Adriana Esteves como Carminha: sen-sa-cio-nal!

Pena que Marcelo Novaes, que faz o seu amante, não esteja á altura da sua interpretação - é como por uma Ferrari para correr com um Fusca, deu pra entender?

Também não entendi a escalação de Tony Ramos, um ícone da nossa TV, para participar dos dois primeiros capítulos.
Pra fazer o que ele fez, no piloto automático, como foi a sua participação como Genésio, qualquer um serviria, nem precisava queimar o filme do grande ator que ele sempre foi.

Na primeira fase, a heroína Rita - a menina que vai ser criada no lixão e volta anos depois para vingar-se - é interpretada por Mel Maia, que tem carisma e segurou bem todas as dramáticas cenas das quais participou.

Só que Rita vai crescer e voltará na segunda fase - usando o nome de Nina e interpretada por Débora Falabella - e a pergunta que fica é: será que Débora vai fazer frente ao desempenho de Adriana Esteves?
Na novela anterior de João Emanuel Carneiro - "A Favorita" - Cláudia Raia não segurou o furacão que foi a Flora, vilã interpretada por Patrícia Pillar.
Divulgação/TV Globo
Mel Maia e Débora Falabella: Rita menina e Rita/Nina mulher

O desafio não será só de Débora: Branca de Neve era uma personagem totalmente passiva, que caía em sono profundo enquanto os sete anões e o príncipe cuidavam da bruxa.

Segundo o autor João Emanuel Carneiro, Rita/Nina será mais próxima de Flora, mas "do bem".

O restante do elenco é muito irregular, e repetem personagens que já estamos cansados de ver em novelas.

Heloísa Pelissé - como a cabeleireira Monalisa - repete pela enésima vez seu personagem "do povão", e seu noivo na trama, o artilheiro do Flamengo Tufão - interpretado por Murilo Benício - está com mais peso que o Adriano para fazer um goleador que faça jus ao nome - mais falso, impossível.
Divulgação
Heloísa Pelissé como Monalisa: enésima vez fazendo mais do mesmo; Murilo Benício como Tufão: mais gordo que o Adriano

Em sua primeira novela, a atriz acima da média Fabiula Nascimento - a mulher do personagem de Benício na boa série "Força Tarefa" - ainda não disse a que veio sua Olenka, colega de trabalho de Monalisa.

Divulgação/TV Globo
Fabiula Nascimento como Olenka, ainda apagada na novela

Os pais de Tufão, Leleco e Muricy - interpretados por Marcos Caruso e Eliane Giardini respectivamente - não saíram nesses primeiros capítulos do lugar comum dos "pais suburbanos" - toda novela da Globo tem um.
Divulgação/TV Globo
Marcos Caruso e Eliane Giardini: lugar comum

José de Abreu - como Nilo,  o chefe do lixão onde Rita vai parar  - consegue ser cruel e nojento numa composição primorosa, e o mesmo se pode dizer da Lucinda interpretada por Vera Holtz, que vai criar Rita e a encaminhará na vida - quando ela volta para sua vingança, já adulta como Nina.
Divulgação/TV Globo
José de Abreu e Vera Holtz: competência de sempre nos primeiros capítulos

Antes, ela acaba sendo adotada por uma família argentina, que paga seus estudos, e parece ter uma vida boa.

Ela tem profissão, namorado e uma família que a ama, mas, como disse Débora Falabella na entrevista de apresentação da novela, "Nina é determinada" e não se esquece do que sofreu - quando seu pai adotivo morre, Nina decide botar em prática seu plano de fazer com que Carminha pague por tudo, volta ao Brasil, se emprega na casa da vilã como cozinheira e, daí para a frente, cometerá as maiores atrocidades em nome de justiça.
"Tanto que ela não usa a palavra vingança, ela usa a palavra justiça", ressalta Débora.

Vamos ver como João Emanuel Carneiro vai desenvolver a trama de sua Branca de Neve do lixão, pois esses primeiros capítulos, ainda não dá para sentirmos muita firmeza.

E só para lembrar: "A Favorita" só deslanchou e se tornou o megassucesso que foi quando Flora revelou-se a grande vilã da história.

“Avenida Brasil”, estreou com média de 38 pontos no Ibope - o índice é prévio, e cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo - e, embora bastante comentado no Twitter, ocupando oito de dez tópicos, o folhetim não conseguiu bater o primeiro capítulo de “Fina Estampa” - que chegou à média de 40 pontos.

'AVENIDA BRASIL'
PRIMEIROS CAPÍTULOS
Onde: 
Globo
Horário: 
Segunda á sábado, depois do "JN"
Uma novela de:
João Emanuel Carneiro
Escrita por:
João Emanuel Carneiro
Direção de núcleo:
Ricardo Waddington
Direção geral:
Amora Mautner e José Luiz Villamarim
Direção:
Gustavo Fernandez
Paulo Silvestrini
Joana Jabace
Thiago Teitelroit
Andre Camara
Colaboração:
Alessandro Marson
Antonio Prata
Luciana Pessanha
Marcia Prates
Thereza Falcão
Cotação do Klau:

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