quinta-feira, 22 de junho de 2017

'DIVINAS DIVAS': COM AFETO EM GRAU MÁXIMO, DIRETORA LEANDRA LEAL PROPÕE MERGULHO PROFUNDO NA ALMA HUMANA - E SE SAI MUITO BEM


SINOPSE:

Rogéria, Divina Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios já eram, na década de 1960,  talentosas artistas transformistas que testemunharam o auge de uma Cinelândia, repleta de cinemas e teatros, no centro do Rio de Janeiro.

O documentário dirigido por Leandra Leal acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração.

As Divinas Divas são ícones da primeira geração de artistas travestis no Brasil dos anos 1960.

Um dos primeiros palcos a abrigar homens vestidos de mulher foi o Teatro Rival, dirigido por Américo Leal, avô da diretora.

O filme traz para a cena a intimidade, o talento e as histórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época.

CRÍTICA:

A excelente atriz e agora diretora Leandra Leal é filha da atriz Ângela Leal e neta do dono de teatro Américo Leal, que marcou época com seus shows bem produzidos.

Antes mesmo de estrear como atriz, ela já convivia com os bastidores e a classe artística carioca.

Recentemente, assumiu a administração do tradicional Teatro Rival, no centro do Rio e que herdou do avô.

Agora, Leandra une sua experiência de vida com o seu profundo interesse pela arte para produzir e dirigir um dos mais belos documentários já produzidos no Brasil.

Divinas Divas : Foto
Rogéria, em cena do documentário - Fotos dessa Postagem - Divulgação/Vitrine Filmes
'Divinas Divas', em exibição em 20 salas em todo o Brasil, conta a história de ícones da primeira geração de artistas travestis do Brasil, a partir de relatos colhidos em meio a uma apresentação realizada em 2014, no próprio Rival.

A começar por Rogéria (a mais conhecida delas, por aparecer bastante na TV), vemos também as estrelas Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa e Brigitte de Búzios contando suas histórias de vida, ao mesmo tempo em que continuam a demonstrar  seus enormes talentos em cena.

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Jane di Castro em cena
Nesse momento, em que a sociedade brasileira e mundial sofre com uma onda absurda de conservadorismo, um documentário como este, produzido com tanto esmero, não é apenas ótimo, mas também é importante, para mostrar que mesmo na época da ditadura militar, artistas travestis tinham mais espaço nos palcos do que hoje.

Visceral, em mostrar a batalha de um apaixonado casal - Jane Di Castro e seu companheiro - levar 46 anos para conseguir na justiça o direito de viver uma união estável.

E vital, em mostrar o significado do artista e da arte no rompimento de barreiras e preconceitos.

Se é difícil imaginar que o espectador, que aguardou com ansiedade a estreia do documentário, olhe para as oito protagonistas da história e as considere anormais, mais difícil para todos nós é saber que esse tipo de preconceito, infelizmente, vem sendo novamente cada vez mais comum.

Divinas Divas : Foto
As Divas onde elas mais gostam de estar: no palco
Ainda bem que Leandra só faz questão de mostrar cenas onde as Divas só recebem carinho e demonstra uma sensibilidade absurda e bem vinda, em sua estreia como cineasta.

Leandra entrega um filme sobre afetos, feito com muito afeto, mostrando talento em grau máximo e também os problemas inerentes à velhice das Divas - que podem ainda ser glamurosas, mas são humanas e enfrentam, como todos nós, a degradação do passar dos anos.

Se vemos problemas de ritmo - a duração de 110 minutos é exagerada - dá para entendermos perfeitamente a dificuldade de Leandra e da montadora, Natara Ney.

É que com tanto carinho, talento e verdade envolvidos, deve ter sido muito difícil escolher o que acabou ficando de fora da corte final do documentário.

Leandra aproveita o tema das Divas para realizar também uma produção extremamente pessoal, se coloca como narradora e aproveita o tema para também relembrar seu avô, seus pais e, principalmente, seu teatro, o Rival.

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Leandra Leal e as Divinas Divas
Leandra Leal deveria aproveitar e remontar o espetáculo teatral que deu origem ao documentário e levar essas Divinas Divas em excursão, a preços populares, por todo o Brasil.

Pelo pique que elas mostram no documentário e na Parada LGBT de São Paulo, domingo passado, todas elas ainda tem muita lenha pra queimar.

Documentário para gays ou não gays, para gente que gosta ou não de espetáculos teatrais, mas que gosta, principalmente, de mergulhar profundamente na alma humana.

Documentaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'DIVINAS DIVAS'
Gênero:
Documentário
Direção:
Leandra Leal
Roteiro:
Carol Benjamin, Leandra Leal, Lucas Paraizo, Natara Ney
Elenco:
Jane di Castro, Rogéria, Valéria, Camille K., Brigitte de Búzios, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa - como elas mesmas
Produção:
Carol Benjamin, Leandra Leal, Natara Ney, Rita Toledo
Fotografia:
David Pacheco
Montador:
Natara Ney
Duração:
110 min.
Ano:
2016
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia:
22/06/2017 (Brasil)
Distribuidora:
Vitrine Filmes
Classificação: 
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

Um comentário:

André Camargo disse...

Crítica sensível e maravilhosa!

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