sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

'AZUL É A COR MAIS QUENTE': MUITO LONGO, E APESAR DE TER SIDO O GRANDE VENCEDOR DE CANNES 2013, LONGA É RUIM, MAL DIRIGIDO E MOSTRA MAIS DO MESMO DA TEMÁTICA GAY


Decepção é a palavra que melhor define esse equívoco.

Longa francês que aborda o romance entre duas mulheres e vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, 'Azul é a Cor mais Quente' - que estreia em 25 salas em todo o Brasil - foi aguardadíssimo mundo afora, em parte pelas críticas muito positivas ao desempenho de de sua atriz principal, a francesa de ascendência grega Adèle Exarchopoulos.

Sua personagem, Adèle - que dá o nome original ao longa, 'La Vie D'Adèle' - é uma bela jovem francesa de classe média que o espectador acompanha no seu dia a dia como um voyeur: a vemos em seu quarto acordando, vamos com ela pegar o ônibus para o colégio, jantamos em sua mesa e participamos de suas rodas de conversa.

Cena do longa - Imagens dessa postagem: Divulgação/Imovision
Para acentuar o voyeurismo,  o diretor e roteirista Abdellatif Kechiche nos impõe sequências soporíferas e tão longas quanto o filme - que tem quase três horas de duração - quase que todo tempo com planos fechadíssimos, o que incomoda e muito.

A câmera está sempre sondando Adèle, tentando arrancar dela algo mais do que seu dia-a-dia nos permite enxergar.

Seu rosto, propositalmente, revela pouco e pelos olhos de Adèle, sempre em close, percebemos que alguma coisa está errada: nela notamos um desinteresse pela vida, uma atitude blasé diante da própria existência, como se tivesse constantemente vagando em pensamentos e mesmo quando conhece um rapaz, Thomas (Jérémie Laheurte ), não consegue mostrar entusiasmo - tanto que, após transarem, seu olhar vazio denuncia que nada a agrada.

Cena do longa
O que desperta Adèle é um encontro casual: ao atravessar uma rua, ela dá de cara com uma jovem de cabelos pintados de azul que cruza seu olhar.

Um flerte para a desconhecida, uma troca de olhares desconcertante para Adèle - à noite, sozinha na cama, ela se masturba imaginando a misteriosa jovem dos cabelos azuis sobre ela.

Daí em diante começamos a explorar o complexo processo que vai tirar Adèle do armário: ela volta a reencontrar a moça de cabelos azuis - desta vez num bar de lésbicas - e agora sabe que ela se chama Emma (Léa Seydoux) e é estudante de artes.

As duas conversam, se encontram outras vezes, até que um romance ardente explode, uma relação onde o sexo tem peso considerável - o que o diretor faz questão de reforçar com os seis minutos de duração que dedica à primeira trepada do casal, um sexo explícito em HD pra ninguém botar defeito.

Cena do longa
O romance se solidifica e elas vão morar juntas, com Emma realizando seus sonhos como artista plástica e Adèle idem, indo trabalhar como professora de crianças.

Se Ema, assim como todos os outros personagens do filme, tem sua personalidade e dimensão bem claras, Adèle continua sempre uma grande charada para o espectador.

Assistimos à sua ascendência emocional e psicológica, mas ao mesmo tempo temos dúvidas sobre o quanto esta jovem verdadeiramente se encontrou, já que Adèle é uma personagem que se mostra tão pouco que somos obrigados a pressupor o que se passa em seu interior, sem jamais termos certeza de nada.

Esse mistério é sem dúvida o grande atrativo do longa, que seria impossível de se alcançar sem o talento  de Adèle Exarchopoulo, que consegue transformar sentimento, emoção e dor para o espectador de modo muito verossímil.

No mais, o filme é chato, longo demais, mostra sempre mais do mesmo de uma relação gay -  como já vimos nas telonas em muitos outros filmes piores ou melhores -  e não nos deixa nada de novo, nada de inesquecível.

Entregando mais do mesmo, ainda não entendi como esse filme ruim levou a Palma de Ouro em Cannes - talvez por ser francês, talvez por Abdellatif Kechiche e Adèle Exarchopoulo serem os atuais queridinhos da crítica européia.

Confira o trailer do longa:


*****
'AZUL É A COR MAIS QUENTE'
Título Original:
LA VIE D'ADÈLE
Gênero:
Drama
Direção:
Abdellatif Kechiche
Roteiro:
Abdellatif Kechiche
Elenco:
Adèle Exarchopoulos, Alma Jodorowsky, Aurélien Recoing, Benjamin Siksou, Catherine Salée, Fanny Maurin, Jérémie Laheurte, Léa Seydoux, Mona Walravens, Salim Kechiouche, Sandor Funtek
Produção:
Genevieve Lemal
Fotografia:
Sofian El Fani
Montador:
Albertine Lastera, Camille Toubkis, Ghalia Lacroix, Jean-Marie Lengelle
Duração:
173 min.
Ano:
2013
País:
França
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
06/12/2013
Distribuidora:
Imovision
Estúdio: 
Quat'sous Films / Wild Bunch
Classificação:
18 anos
Cotação do Klau:

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