terça-feira, 27 de agosto de 2013

A SEMANA NO CINEMA


Confira:

TOP 10 - BILHETERIAS:'THE BUTLER' LIDERA NOS EUA E 'PERCY JACKSON E O MAR DE MONSTROS' LIDERA NO BRASIL
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'OS VINGADORES 2 - A ERA DE ULTRON': DIRETOR JOSS WHEDON FALA SOBRE O LONGA, SOBRE CONTINUAÇÕES E SOBRE COMO SUA SÉRIE 'BUFFY' FOI COPIADA POR 'CREPÚSCULO' E 'VAMPIRE DIARIES'
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'TOMORROWLAND': PROJETO MISTERIOSO DA DISNEY COMEÇA A SER FILMADO E TEM SINOPSE DIVULGADA
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'STAR WARS 7' SERÁ RODADO EM 35MM
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'MOULIN ROUGE - AMOR EM VERMELHO': BAZ LUHRMANN QUER CONVERTER LONGA PARA O 3D
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JAMES BOND: DANIEL CRAIG FALA SOBRE O PRÓXIMO FILME DA SÉRIE
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BEN AFFLECK VAI VIVER O BATMAN EM VÁRIOS LONGAS
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ENTREVISTA: WAGNER MOURA FALA SOBRE 'ELYSIUM', SEU PRIMEIRO LONGA EM HOLLYWOOD - 'MEU TRAILER TINHA ATÉ LAREIRA'
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Veja:

TOP 10 - BILHETERIAS:'THE BUTLER' LIDERA NOS EUA E 'PERCY JACKSON E O MAR DE MONSTROS' LIDERA NO BRASIL


'The Butler', filme que narra a história de um mordomo negro que trabalhou para oito presidentes na Casa Branca, alcançou o primeiro lugar na bilheteria americana novamente.

Dessa vez, o filme arrecadou US$ 17 milhões - na semana passada, de estreia, o longa fez US$ 25 milhões.

Protagonizado pelo vencedor do Oscar Forest Whitaker e pela apresentadora de televisão americana - e boa atriz - Oprah Winfrey, o longa já é considerado pela crítica especializada um dos fortes candidatos ao Oscar 2014.

Estrelado por Jennifer Aniston, 'Família Do Bagulho', ficou em segundo lugar com renda de US$ 13,5 milhões.
Em sua terceira semana em cartaz, o filme já arrecadou mais de US$ 90 milhões e manteve a colocação da semana passada.

Na terceira posição ficou a estreia 'Os Instrumentos Mortais: Cidades Dos Ossos', que não conseguiu repetir o desempenho de 'Crepúsculo' e 'Jogos Vorazes' - livros que inspiraram também a obra de Cassandra Clare - arrecadou apenas US$ 9,3 milhões.

Na quarta posição, a comédia 'The World's End' estreou com US$ 8,9 milhões e a animação da Disney, 'Aviões', caiu uma posição - agora é quinto - faturou mais US$ 8,9 milhões e chegou à marca de US$ 60 milhões.

Divulgação
Já nos cinemas brasileiros, não teve pra ninguém: 'Percy Jackson e o Mar de Monstros' continua liderando, seguido de perto por 'Os Smurfs 2' e a estreia da continuação protagonizada por Adam Sandler - 'Gente Grande 2'.

Os nacionais 'Flores Raras' e 'Minha Mãe é Uma Peça - O Filme' seguem fazendo boa figura no Top 10 Brasil - nessa semana, fecharam em sexto e sétimo lugares, respectivamente.

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'OS VINGADORES 2 - A ERA DE ULTRON': DIRETOR JOSS WHEDON FALA SOBRE O LONGA, SOBRE CONTINUAÇÕES E SOBRE COMO SUA SÉRIE 'BUFFY' FOI COPIADA POR 'CREPÚSCULO' E 'VAMPIRE DIARIES'

Joss Whedon escolheu um vilão formidável para a equipe dos Vingadores, mas o poderoso Ultron também representa um desafio para o diretor e roteirista: 
Como fazer uma máquina que tem praticamente todos os possíveis poderes ser interessante nas telonas?

Ultron é um robô com auto-conhecimento que desenvolve um desejo de poder.
Ele tem um vasto rol de habilidades – força super-humana, velocidade, resistência, durabilidade, vôo, controle da mente e um intelecto genial.

O Robô Ultron das HQs - Marvel Comics

Em entrevista à 'Entertainment Weekly Magazine', Whedon revelou que irá descartar o uso de algumas das habilidades de Ultron para encontrar uma maneira de humanizá-lo.

“Eu soube imediatamente o que eu queria fazer com ele - que está sempre tentando destruir os Vingadores… Ele não é um cara feliz, o que significa que ele é um cara interessante. Ele tem dor.E a forma como isso se manifestará não será da forma robótica convencional. Então vamos retirar alguns desses poderes, pois chega um momento onde todos se tornam mágicos, e eu já tenho [a nova personagem, Feiticeira Escarlate], que é uma bruxa”, afirmou o diretor - o Marvel Studios quer Elizabeth Olsen para o papel da Feiticeira Escarlate.

Os dois novos membros do time dos Vingadores serão os irmãos mutantes Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) e Feiticeira Escarlate, ambos filhos do Magneto: ele é capaz de correr em alta velocidade e ela, além de telecinética, lança feitiços.

Um roteiro não oficial vazado a dias mostra que, após a derrota de Loki, Ultron será criado por acidente por Tony Stark (Robert Downey Jr.) e também determina que a Viúva Negra (Scarlett Johansson) terá destaque na continuação - como foi confirmado por Whedon - e que o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) também será um personagem de grande importância na história.

Whedon falou também sobre seu salário e a possibilidade de algum herói da Marvel morrer no próximo filme.

A informação que circulava era a de que Whedon receberia U$ 100 milhões para escrever e dirigir a sequência do mega-sucesso, mas na entrevista ele desmentiu.
“Isso me incomoda. Eu acho que isso dá às pessoas uma impressão de quem você é, uma impressão que me incomoda.”

Para esclarecer o assunto, ele completou:
“Eu vou fazer o segundo filme. Alguém acha que eu não vou ser pago? Mas não é nada próximo do que as pessoas têm falado.”

Sobre os planos de filmar a morte de algum herói da franquia, Whedon obviamente não fez revelações bombásticas:
“Eu estou sempre brincando sobre isso. Hum… talvez?”.

Joss Whedon brinca com o escudo do Capitão América, durante as filmagens de 'os Vingadores - The Avengers' - Marvel Studios

Embora seja conhecido por matar personagens importantes de suas séries e filmes, o cineasta revelou que a decisão não é tão simples.
“Acho que eu teria de ter uma razão muito boa, um resultado muito bom para que [executivos da Marvel] dissessem, ‘Nós vamos eliminar uma potencial franquia, tudo bem”, brincou.

“Eles sabem tão bem quanto outro bom estúdio que, sem alguns riscos, sem algum perigo real, [o público] não pode se envolver tanto. Nós não eliminamos a possibilidade, simplesmente, mas também não temos como lema ‘Quem podemos matar?’ Nós tentamos construir a história de forma fluida e definir, ‘Quanto podemos dificultar a vida dessas pessoas?’ Você vai para o cinema para ver pessoas que você ama sofrerem – é por isso que você vai ao cinema.”

Perguntado como é fazer uma continuação, Whedon citou 'Episódio 5 - O Império Contra-ataca' e 'O Poderoso Chefão 2' como as continuações que deram certo.

Entretanto, o filme da saga Star Wars deixou um gosto amargo para ele.
"'Império' cometeu o erro mortal de não terminar de verdade. Isso me chocou na época e eu ainda acho que é uma péssima ideia. Não é um final. É um 'volte na semana que vem', ou 'daqui a três anos', e isso me deixa chateado. Eu vou ao cinema para ter uma experiência completa. Se quero um filme que não acaba, eu vou a um filme francês. É uma quebra de confiança para mim. Um filme precisa ser completo em si mesmo".

Ele diz que não cometerá esse erro no universo cinematográfico da Marvel nem em sua série de TV, 'Agents of SHIELD'.

O diretor também comparou 'Buffy: A Caça-Vampiros' - série criada por ele - às franquias 'Crepúsculo' e 'Vampire Diaries'.
"Para mim, a questão sobre 'Buffy' - em termos de entretenimento - é se existem personagens capacitadas; quem comanda a narrativa? A coisa de 'Crepúsculo' e todas essas tentativas de franquias é que tudo se baseia em o que essa garota vai fazer, mas ela é completamente passiva ou não tem ideia do que está acontecendo. E isso é incrivelmente frustrante para mim, pois muitas das coisas 'roubadas' de 'Buffy' são uma reação contra [a série]; Está tudo lá, menos Buffy. Muitas das coisas direcionadas para os adolescentes são apenas 'Escolhendo Namorados: O Filme'".

Finalizando a conversa, Whedon comentou a polêmica escalação de Ben Affleck como o novo Batman do cinema e manifestou sua aprovação:
"Affleck vai mandar bem. Ele tem a coragem, tem o queixo - só precisa do material. Affleck e Cavill frente a frente - Estou dentro".

O novo filme do diretor, 'Muito Barulho Por Nada', chega nesta sexta-feira aos cinemas americanos.

Todos os atores do primeiro 'Vingadores' voltam para essa continuação - inclusive Robert Downey Jr. como o Homem de Ferro.

‘Os Vingadores 2: A Era de Ultron‘ começa a ser filmado em Janeiro de 2014, nos estúdios Pinewood-Shepperton, Reino Unido.

A Marvel Brasil marcou a data de lançamento para dia 1º de Maio de 2015, o mesmo da norte-americana.

Na Alemanha, Hong Kong e Holanda a estreia acontece um dia antes, em 30 de Abril.

'TOMORROWLAND': PROJETO MISTERIOSO DA DISNEY COMEÇA A SER FILMADO E TEM SINOPSE DIVULGADA

A Disney anunciou ontem que iniciou as filmagens de ‘Tomorrowland’, projeto envolto em mistério e que será dirigido por Brad Bird (‘Missão: Impossível – Protocolo Fantasma’, 'Os Incríveis').

Além disso, foi revelada a sinopse oficial do filme:
"Unidos por um destino interligado, uma brilhante e otimista adolescente, cheia de curiosidade científica, e um inventor, que foi um prodígio infantil e caiu em desilusão, embarcam em uma missão cheia de perigos para descobrir os segredos de um lugar enigmático em algum canto do tempo e do espaço, que existe em sua memória coletiva como ‘Tomorrowland’".

George Clooney vai interpretar o inventor, Britt Robertson viverá a jovem e o elenco se completa com Hugh Laurie (‘House’), Raffey Cassidy e Thomas Robinson.

O logo de ‘Tomorrowland’ - Disney

O roteiro é de Bird e Damon Lindelof (‘Além da Escuridão – Star Trek’) e foi baseado em uma ideia que a dupla bolou ao lado de Jeff Jensen, mais conhecido como dublê de filmes como ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’ e ‘Velocidade Máxima’.

A Disney também confirmou a equipe técnica de Bird: a direção de fotografia é do vencedor do Oscar Claudio Miranda ('As Aventuras de Pi'), o design de produção é de Scott Chambliss ('Além da Escuridão - Star Trek'), o figurino será criado por Jeffrey Kurland ('A Origem') e a montagem ficará a cargo do consagrado Walter Murch ('Apocalypse Now', 'O Poderoso Chefão Parte III', 'O Paciente Inglês') - ou seja, projeto pra nenhum cinéfilo botar defeito.

O título original do longa era ’1952′ - o número estava anotado em uma caixa misteriosa que Lindelof encontrou no laboratório de desenvolvimento pessoal de Walt Disney.

O conteúdo da caixa, que detalhava um projeto incompleto de Disney, foi a inspiração inicial para o filme.

A estreia americana de ‘Tomorrowland’ foi marcada para 12 de dezembro de 2014.

'STAR WARS 7' SERÁ RODADO EM 35MM

O intrépido J.J. Abrams continua a se cercar de parceiros conhecidos anteriormente para dar um novo recomeço à franquia 'Star Wars'.

Segundo o site BobaFettFanClub, Dan Mindel - que trabalhou com J.J. em 'Missão: Impossível 3' e 'Star Trek' - será o diretor de fotografia do 'Episódio 7'.

Divulgação

A novidade advinda da contratação de Mindel é a maneira como o longa será rodado: 35mm.

Os últimos dois filmes da saga -  Episódios 2 e 3 - foram filmados em digital, o que na época era considerado revolucionário.

'Star Wars: Episódio 7' ainda não possui elenco confirmado ou sinopse oficial, mas a Disney já anunciou seu lançamento para 2015.

'MOULIN ROUGE - AMOR EM VERMELHO': BAZ LUHRMANN QUER CONVERTER LONGA PARA O 3D

O diretor australiano Baz Luhrmann se empolgou tanto depois de fazer 'O Grande Gatsby' em 3D que quer converter o longa que o tornou famoso em todo o mundo - 'Moulin Rouge - Amor Em Vermelho' - para o formato.

O diretor fez a revelação em entrevista ao EW Radio:
"Como as conversões estão ficando cada vez melhores, eu vou pedir para o pessoal da Fox. Talvez a gente possa converter 'Moulin Rouge' para o 3D. De uma forma estranha, acho que eu estava tentando realizar um filme 3D [durante as filmagens]".

É sempre bom lembrar que a Fox adora conversões: com supervisão de James Cameron, o estúdio fez a conversão de 'Titanic', além de lançar em Blu-ray especiais com o formato.

Nicole Kidman e Ewan McGregor, em foto promocional de 'Moulin Rouge - Amor Em Vermelho'(2001) - Fox

'Moulin Rouge - Amor Em Vermelho' foi lançado em 2001 e é um estupendo musical estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor.

Ambientado no famoso cabaré de Paris no começo do século 20, com fotografia, direção de arte e roteiro primorosos, foi o grande responsável pelo retorno dos bons musicais às telonas e é um dos melhores filmes, tanto na carreira de Kidman, quanto na carreira de McGregor.

Desde o lançamento, é um dos meus musicais favoritos, disparado.

JAMES BOND: DANIEL CRAIG FALA SOBRE O PRÓXIMO FILME DA SÉRIE

Atual intérprete do agente 007 nas telonas, Daniel Craig falou ao 'Vulture' sobre o próximo filme da saga e revelou que a ideia é retomar o humor dos antigos longas da franquia - muito presentes na fase em que Sean Connery e Roger Moore estrelavam.

"Esperamos recuperar um pouco da velha ironia, nos certificando de que não se torne uma imitação dos filmes antigos. Eu não consigo fazer pastelão, não sou muito bom nisso. A não ser que faça sentido. Isso faz sentido? Às vezes eu gostaria de ter exagerado um pouco mais [na atuação], mas não consigo fazer isso muito bem, então não faço", explicou o ator.

O novo longa deverá se chamar 'Devil May Care' - mesmo título do romance escrito por Sebastian Faulks, publicado em 2008, ano do centenário de nascimento de Ian Fleming, criador do espião.

Daniel Craig como Bond no seu longa de estreia 'Casino Royale' - Eon Productions

Apesar do título, o longa não deve usar a mesma trama do livro, pois o livro se passa em 1967 e é uma continuação direta de '007 Contra O Homem Com A Pistola De Ouro'.

Sam Mendes volta a assinar a direção depois do bem sucedido '007 - Operação Skyfall' - o mais visto e de melhor bilheteria da série oficial, que já tem 50 anos nas telonas e conta com 23 filmes.

John Logan também retorna para escrever o roteiro.

O vigésimo quarto filme da série oficial agente James Bond estreia em 23 de outubro de 2015 no Reino Unido - nos Estados Unidos está marcado para 6 de novembro de 2015.

BEN AFFLECK VAI VIVER O BATMAN EM VÁRIOS LONGAS

Na última quinta (22),o mundo foi pego de surpresa com a revelação de que Ben Affleck foi o escolhido da Warner Bros. para interpretar o novo Batman/Bruce Wayne no cinema - no filme ‘Superman vs. Batman’.

Nessa semana, novidades começam a surgir: segundo o Hollywood Reporter, Affleck assinou contrato para viver o personagem em múltiplos filmes do Universo DC.

Sendo assim, a possibilidade de que ele estrele e dirija o filme da ’A Liga da Justiça‘ é grande - lembram que a Warner Bros. o tinha convidado para comandar a adaptação em fevereiro, mas ele não aprovou o roteiro escrito por Will Beall (‘Caça aos Gangsteres’) e declinou a proposta?

O foco do estúdio é inserir o personagem em ‘Superman vs. Batman’, para depois reunir os personagens da Liga em outro filme.

Pôster feito por fã já mostra Ben Affleck como o Batman

A fonte ainda confirma que Ryan Gosling, de 32 anos, e Josh Brolin , de 46, negociaram, sim, para o papel.

Affleck irá estrelar a produção ao lado de Henry Cavill, que irá mais uma vez viver Superman / Clark Kent.
O filme também reúne outras estrelas de 'O Homem de Aço' - como Amy Adams, Laurence Fishburne e Diane Lane.

“Nós sempre soubemos que precisávamos de um ator extraordinário para viver um dos heróis mais populares da DC Comics e Ben Affleck certamente preenche esse requisito. Sua carreira de sucesso é o atestado de seu talento e nós sabemos que Zack trará uma nova dimensão para esse personagem”, afirmou Greg Silverman, diretor e produtor da Warner Bros. durante o anúncio.

“Ben oferece um interessante contraponto ao Superman de Henry. Ele tem todo o gabarito para criar diferentes facetas de um homem mais velho e experiente do que Clark Kent, que traz as cicatrizes do combate ao crime no corpo e mente, mas sem perder o charme que o mundo vê no bilionário Bruce Wayne. Mal posso esperar para trabalhar com ele”, conta com entusiasmo o diretor Zack Snyder.

Affleck recentemente dirigiu, produziu e atuou no vencedor do Oscar® de Melhor Filme “Argo” e seus trabalhos como diretor e ator no longa lhe renderam inúmeros outros prêmios.

A produção de 'Superman vs. Batman' deverá ser iniciada no começo de 2014.

ENTREVISTA: WAGNER MOURA FALA SOBRE 'ELYSIUM', SEU PRIMEIRO LONGA EM HOLLYWOOD - 'MEU TRAILER TINHA ATÉ LAREIRA'

"Não era nada disso que eu queria", é o que ouviu Wagner Moura do diretor sul-africano Neill Blomkamp ("Distrito 9") na primeira leitura do filme "Elysium", que estreia no Brasil no dia 20 do mês que vem.

O brasileiro tinha chegado bem preparado para o primeiro trabalho em Hollywood, cenas decoradas e um jeito de falar e andar que treinou em casa.

Mas Wagner, 37, chega pronto e resolve mostrar o que tem.
"Todo mundo leu, eu botei meu roteiro de lado e saí fazendo o personagem, com voz rouca, mancando para lá e para cá, gesticulando muito", lembra.

"As pessoas foram ficando assustadíssimas."

No final, o diretor o chama de lado e sentencia:
"Não era nada disso que eu queria". Mas complementa: "Gostei, vamos investir".

É a essência do "axé acting".

Quem explica a técnica é um de seus melhores amigos, o também ator e também baiano Vladimir Brichta:
"Baiano não é cool. Se for para errar, a gente erra para cima, nunca para baixo. A gente sangra e transpira pelo personagem".

O termo foi criado por Cacá Diegues, diretor de "Deus É Brasileiro", filme que revelou Wagner, aos 27 anos, em 2003.
"Minha tendência como ator é sempre fazer mais. Esse negócio de 'menos é mais' é um chavão", diz Wagner à repórter Teté Ribeiro,  em entrevista publicada pela revista 'Serafina' - da 'Folha de S.Paulo' e publicada no último domingo.

Dez anos depois, em Hollywood, ouvir "vamos investir", quer dizer alguma coisa.
"O personagem tinha um problema na perna, e eu quis usar uma bengala. Pedi ao diretor e, em cinco minutos, tinha 50 bengalas para eu escolher", lembra Wagner.
"Essa é a diferença de filmar lá, é muita grana. Os caras te tratam bem. Meu trailer tinha até lareira."

No filme, Wagner interpreta Spider, um mix de hacker e traficante de gente, que descobriu um jeito de transportar os pobres para o mundo dos ricos.

A história se passa em 2154, e a Terra, destruída, é controlada por robôs, que usam e descartam os seres humanos, mais ou menos como fazemos hoje com um celular de dois anos atrás.

Fotos: Bob Wolfenson/Folhapress

POR INTEIRO

Encontro Wagner numa tarde fria de domingo.

Ele está mais magro, exigência do filme "Trash", dirigido por Stephen Daldry, de "Billy Elliot" (2000).

Dessa vez, Hollywood veio até o Brasil: o longa está sendo rodado no Rio, com Rooney Mara, Martin Sheen, Selton Mello e três crianças desconhecidas, em seus primeiros trabalhos no cinema.

Durante as mais de cinco horas que passamos juntos, entre sessão de fotos, troca de roupa, almoço e entrevista, ele não recebe nem manda mensagens de celular, nem telefonemas, nada.
"Digo muito mais não do que sim. Porque, quando eu vou, eu vou, por inteiro."

E fica, o tempo que for, fazendo tudo o que lhe é pedido, de bom humor.

Dá risada quando o fotógrafo diz que ele "tá pagando de gatinho".
E canta junto as músicas que tocam ao fundo, no estúdio, todas brasileiras.

Em um momento, se emociona com a letra de "Naquela Mesa" ("Naquela mesa tá faltando ele. E a saudade dele tá doendo em mim"), música de Nelson Gonçalves, regravada por Otto.
"Como é lindo isso", diz, de olhos fechados, acompanhando a letra e balançando o corpo.

Filho de um sargento da Aeronáutica e de uma dona de casa, Wagner Maniçoba de Moura nasceu em 27 de junho de 1976.

Foi criado em Rodelas, cidadezinha com 8.000 habitantes nas margens do rio São Francisco.
Aos 13 anos, mudou-se para Salvador com a família, formou-se em jornalismo e virou repórter de coluna social no programa de TV da apresentadora Michelle Marie - cobria festas e entrevistava socialites locais.

Quando resolveu virar ator, começou fazendo testes de comerciais.
"E animação de festa infantil, telegrama animado, fiz tudo isso", lembra.
"A minha maior fonte de renda era o comercial de uma loja de material de construção", ele conta - e repete o texto, cara de vendedor, chamando a atenção para a liquidação de um piso.
Convence.

Até filme americano ele fez.
O ano era 2000, e Penélope Cruz protagonizou "Sabor da Paixão" ao lado de Murilo Benício, que flertava com uma carreira hollywoodiana.
Na trama, Murilo era Toninho, dono de um restaurante que vai para a Califórnia atrás da mulher e deixa dois amigos - Lázaro Ramos e Wagner Moura - cuidando do negócio.
O filme foi um fracasso.

A sorte começou a virar quando ele fez uma peça chamada "A Máquina", em 2002, com Lázaro e Vladimir Brichta.
O sucesso levou os três para o Rio, de onde nunca mais saíram.

"Eles viraram a minha família", conta.
O trio se encontra regularmente para o que chamam de "sessão bar Joia", uma noite de cerveja e conversa na casa de Lázaro.
"A gente se consulta sobre tudo, trabalho, futebol, filhos, até carro", diz Vladimir.

Wagner mudou de cidade e de estado civil no mesmo ano.
Conheceu a fotógrafa Sandra Delgado em Salvador, se apaixonou e a trouxe para o Rio.
Os dois têm três filhos, Bem, Salvador e José.

No começo de agosto, Sandra foi a Los Angeles com o marido para a pré-estreia de "Elysium".
Voaram de volta na noite seguinte porque era aniversário de Bem, que completou sete anos "e convidou dez amigos para dormir em casa".


ANTES DO NASCIMENTO

Filmou com Walter Salles em "Abril Despedaçado"; com Hector Babenco em "Carandiru"; com Jorge Furtado em "Saneamento Básico - O Filme". 

Fez duas novelas na Globo ("A Lua Me Disse", de 2005, e "Paraíso Tropical", de 2007), o humorístico "Sexo Frágil", o seriado "JK".

E então aconteceu com ele algo entre escalar o Everest e ganhar na loteria.

Foi "Tropa de Elite", de 2007, que virou fenômeno antes mesmo de entrar em cartaz, por ter sido pirateado no Brasil inteiro e ganhado o Urso de Ouro no Festival de Berlim.
Era o primeiro longa-metragem de ficção dirigido por José Padilha e tinha Wagner como o capitão Nascimento, um policial atormentado e violento.
Teve mais de dois milhões de espectadores.

Três anos depois, a dupla se uniu novamente para a continuação desse que ficou conhecido como o primeiro blockbuster brasileiro. 
Em "Tropa 2", Wagner virou produtor e se associou a Padilha para controlar a distribuição do filme.
Não teve pirataria antes da estreia e é o filme brasileiro mais visto da história, com mais de 10 milhões de espectadores.

"Só estou fazendo 'Elysium' por causa do capitão Nascimento. Além de toda a projeção que me deu, foi o personagem que me embrenhou na discussão política", diz.
"Tinha sempre alguém dizendo que ele era fascista, gerou debate e eu adorei. Eu e o Zé Padilha quase saímos na porrada no mundo inteiro."

Ator e diretor estão agora em Hollywood, onde Padilha finaliza seu "RoboCop: A Origem", que estreia em fevereiro.
"Vamos ter mais alternativas agora, podendo fazer filmes tanto no Brasil quanto nos EUA", afirma Padilha.

Se o capitão Nascimento vai estar sempre ligado à sua história, a política parece seguir o mesmo caminho.
"Nunca fui militante de porra nenhuma, nunca fui para a rua, nem na época dos caras-pintadas, nem em junho. Mas gosto de política, de saber o que está acontecendo."

E de falar.
"Sou prolixo e falo o que penso", afirma.

Wagner já fez campanha contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte.
"E não me arrependo. Rodelas foi inundada pela barragem de Itaparica. Eu sei o impacto que o desvio de um rio provoca, e é gigante", justifica.
"É energia limpa, mas e daí? Eu não sei a melhor resposta, tem cientista para isso."

No último Festival de Gramado, ele fez um discurso em que falou dos amigos Lázaro e Vladimir, "meus cronistas e ombudsmans", e lembrou o sumiço do pedreiro Amarildo.
"Não foi nada preparado, mas era véspera do Dia dos Pais e fiquei pensando nisso. É uma coisa muito escrota desaparecer um cara assim."

Já criticou publicamente o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, apoiou a criação da Rede, de Marina Silva, e fez campanha para o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), derrotado na última eleição para a prefeitura do Rio.
O político foi a inspiração para o personagem Fraga, de "Tropa 2".
"Não tenho medo, gosto do perigo", diz Wagner.

Segundo o ator Paulo Betti, "o fato de ele se posicionar politicamente só o fortalece. Ninguém perde nada quando luta pelo que acredita".

Foi arriscando tudo que ele adaptou, produziu e protagonizou "Hamlet", de Shakespeare, em 2008.
A montagem, dirigida por Aderbal Freire-Filho, fez sucesso de público, recebeu algumas boas críticas e outras péssimas.
O príncipe da Dinamarca do ator baiano era debochado, irônico, explosivo, agitado.

"Eu não quis dar conta de 'Hamlet', nem poderia. Foi só a minha versão", diz ele, que até hoje divide as opiniões dos amigos e colaboradores.
"Assisti ao 'Hamlet' do Wagner duas vezes. Era de um frescor como eu nunca tinha visto, havia eletricidade e vida em cada fala", disse o cineasta Fernando Meirelles, para quem o momento atual do ator se equipara ao de Neymar, "indo para o Barcelona jogar ao lado do Messi e do Xavi".

Lázaro Ramos é mais comedido: 
"Quando vi o resultado, me fiz a pergunta que faço sempre que vejo o trabalho dele: 'Por que não?'"


A DOR DAS CRÍTICAS

No ano passado, outra empreitada foi alvo de críticas.
Ele se apresentou na MTV, em um tributo à banda Legião Urbana, como vocalista, no lugar de Renato Russo.
E cantou, pulou, suou, vibrou.
E, em alguns momentos, perdeu o tom.
"Estava muito emocionado e tive problemas no microfone, não conseguia ouvir minha voz direito. É possível que tenha desafinado, sim. Mas o que eu vivi ali foi incrível, faria tudo de novo."

As críticas doeram.
"Tem dois jeitos de uma crítica machucar. Um, quando você percebe que quem escreveu não entendeu nada. Outro, quando o crítico tem toda razão. Aí, é terrível."

E os críticos não vão ter opção a não ser seguir julgando os seus trabalhos.
Ele já tem mais dois filmes prontos: o primeiro, "Serra Pelada", de Heitor Dhalia, em que também é produtor, estreia em outubro. 
"É para ser bom de público. É um filme de aventura, de gângster, e se passa em um período incrível da história do Brasil."

No começo do ano que vem, estreia o longa "Praia do Futuro", de Karim Aïnouz, diretor de "Madame Satã".

Então, virá "Fellini Black and White", em que Wagner foi escalado para interpretar o diretor italiano em sua primeira viagem aos EUA, em 1957.
A produção foi interrompida quando Henry Bromell, diretor do filme e produtor do seriado "Homeland", morreu de ataque cardíaco em março deste ano.
"Na viagem que fiz a Los Angeles, eu e o produtor decidimos contratar um diretor para não deixar o projeto morrer", diz.
"Mas ainda não posso revelar quem é."

Depois disso tudo, Wagner prepara o passo mais largo de sua carreira: a estreia na direção.
O filme será baseado na biografia "Marighella - O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo" (2012, Cia das Letras), do jornalista Mário Magalhães.
"Foi Maria Marighella, neta do guerrilheiro, quem me deu o livro e a ideia. Ela disse: 'O filme tem que ser baiano, não podemos entregar isso para os paulistas'", ri.

"Marighella era muito cheio de axé. Pegou em armas para lutar contra a ditadura, mas era um homem dócil, carinhoso, contador de piada."
Wagner conta que foi difícil resistir à tentação de viver o protagonista, assassinado em 1969, numa emboscada, na alameda Casa Branca, em São Paulo.

"Mas ele morreu com mais de 50 anos e era mulato, como o Caetano canta:
'Um mulato baiano, que morreu em São Paulo'."
Ele se refere à música "Um Comunista", do disco "Abraçaço".
"Ainda não sei quem pode fazer esse papel, mas o cara vai ter que ser muito versado no axé acting."
*****
Até +!

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