segunda-feira, 30 de maio de 2011

A SEMANA ILUSTRADA

O patrimônio inexplicável do Palocci, a receita de Ana Maria Braga  para o kit anti-homofobia, Barrichello, Massa, o substituto do Comandante Hamilton no programa do Datena e o aparato anti- roubo no bairro de Perdizes - SP foram algumas das minhas inspirações nessa semana.

Confira - para ver em tamanho maior, é só clicar na imagem:










E para encerrar, olha só a manchete da Folha de hoje: "Em Perdizes, holofote vita arma contra furto de carros".

Eu pensei que era alguma coisa assim, tipo batsinal...

Mas era só aquelas lâmpadas fortes de portaria, viradas pra rua... 

Essa Folha!

GUIA AJUDA A ENTENDER MELHOR O UNIVERSO DE "HOUSE"

Rabugento, irônico, sarcástico e nem um pouco preocupado com seus pacientes.

Apesar dessas características serem absurdas para um médico, Gregory House faz sucesso exatamente por elas.

Personagem-título da série de sucesso mundial, e que entrará agora na sua oitava - e possivelmente, última temporada - House prefere o mistério da doença misteriosa ao prazer de ver seu paciente melhor.

Sua meticulosidade faz com que os casos mais estranhos cheguem em suas mãos: sintomas que não combinam, desconhecidos, doenças improváveis, desde que seja complexo e um verdadeiro quebra-cabeça, ele aceita.

House - interpretado magistralmente por Hugh Laurie - montou sua equipe com pessoas de personalidades diferentes, e justamente por isso todos são a ajuda essencial para diagnosticar as doenças apresentadas, episódio após episódio, tudo permeado pelas vidas de  House ,  do seu melhor amigo, o oncologista James Wilson - papel de Robert Sean Leonard e de Cudy, a médica supervisora do hospital onde trabalham - vivida por Lisa Edelstein - e interesse amoroso do difícil doutor.

Divulgação
Elenco de Dr. House
O elenco atual  de House

A análise do perfil de cada um deles é apenas um dos pontos de O Guia Oficial de House, recém lançado pela editora Best Seller.

Além dos personagens vistos nas telas, ele apresenta outros de extrema importância, mas que trabalham nos bastidores, como David Shore, criador da série; Katie Jacobs, responsável pelo casting para o programa-piloto; Greg Yaitanes, diretor de produção; e Gare Tatersall, o elogiado diretor de fotografia.

Para os fãs do seriado, o guia ainda tem curiosidades dos episódios e outros detalhes da produção e da consultoria médica da série.

De ler de um fôlego só, e, por isso mesmo, imperdível.

O Guia Oficial de House
Título: O Guia Oficial de House
Autor: Ian Jackman
Tradução:Elena Gaidano e fatima Santos
Editora: Best Seller
Edição: 1
Ano: 2011
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 432 páginas
Quanto: R$ 44,90
Onde Comprar: Livraria da Folha
COTAÇÃO DO KLAU:

BIOGRAFIA DE RICKY MARTIN É REDUNDANTE DEMAIS, MAS É SINCERA E VERDADEIRA

A autobiografia da lenda latina Ricky Martin, apesar de ser redundante na maioria dos capitulos, faz bem à autoestima de gays que querem sair do armário mas não sabem por onde começar.

Os capítulos são escritos num tom de total sinceridade, onde o ex-Menudo relata conflitos reais enfrentados pelos meninos desde a infância, quando o desejo por pessoas do mesmo sexo provoca sensações que os meninos ainda não sabem contgrolar - é bom, mas é visto como errado, dá prazer, mas depois vem a depressão e a culpa.

No livro, Kiki - seu apelido de infância - descreve, beirando muitas vezes a redundância, as reações mais frequentes do antes e do depois a uma saída do armário: o extremo alívio, o arrependimento por não ter feito isso antes e uma explosão de coragem de refazer a vida em bases mais autênticas, ao finalmente assumir o que ele mesmo destaca, o "foda-se para a opinião dos outros".

Ricky relata bem os momentos anteriores àquele 29 de março de 2010, quando decidiu apertar o botão do micro para enviar a carta em que revelava sua homossexualidade, ficando muito feliz pela aprovação dos fãs, pelo aumento das vendas de seus álbuns na semanas seguintes e, principalmente, por encarar seus amigos, família e filhos sem a máscara da mentira.

Ricky  era "obrigado" a posar de "amante latino", sedutor de mulheres, reafirmando o machismo da cultura de sua terra natal, Porto Rico, e, nessa parte da narrativa, o artista toca no drama de homens não tão efeminados que recebem cantadas femininas e toda a pressão para que sejam conhecidos como garanhões insaciáveis.

"Olho para Elton John, que é indiscutivelmente um ícone, e acho impressionante a forma como ele aceitou sua sexualidade. Mas eu não sou ele, e, culturalmente, senti que as implicações de aceitar minha sexualidade diante do resto do mundo seriam muito mais complicadas", escreve Kiki na página 261.

O livro frustra muito seus fãs ao narrar os bastidores do Menudo, boy band portorriquenha que foi um tremendo sucesso no mundo todo - Brasil incluso - e onde Ricky começou sua carreira.

Sempre se especulou sobre as aventuras sexuais na banda, mas Ricky não vai além dos relatos sobre a forte disciplina a que os meninos eram submetidos, os muitos acessores que cada um deles tinha e o luxo e conforto das temporadas em hotéis, cheios de videogames.

Na autobiografia, ele deixa claro que seu melhor momento profissional foi com a música
"Livin' la vida loca", que lhe rendeu diversos prêmios e a sensação de estar no topo da indústria fonográfica mundial - Ricky também enfrentou muitos conflitos nessa época, como o cerco da mídia, as cobranças para se manter no topo, e os exaustivos compromissos com turnês que o deixaram exausto.

Relembre o belo clipe de "Livin' la vida loca":

Foi exatamente nessa fase de muito cansaço que ele foi encurralado pela jornalista e ícone da TV norte-americana Barbara Walters que, com seu estilo frio e doce de disparar peerguntas comprometedoras para os entrevistados, perguntou na lata se ele era gay.
Ricky ainda tentou fugir dizendo que isso era uma assunto particular, mas, como é de seu feitio, Barbara insistiu por diversas vezes.

"Minha visão ficou turva e meu coração disparou. Senti-me como um lutador de boxe que acaba de ser acertado por um soco decisivo - cambaleante e na defensiva, mas já nocauteado, prestes a cair. Mas não caí. Não sei como consegui, mas fiquei firme", conta ele no livro.

Depois dessa fase, Ricky decidiu largar tudo e ir para a Índia, onde narra que finalmente começou um auto-conhecimento que o fez ser um ser humano muito melhor, e onde também resolveu abraçar a causa das crianças exploradas pelo mundo, com a idealização de sua fundação.

O livro ainda traz detalhes de duas paixões de sua vida, por uma apresentadora e atriz mexicana, e por um locutor de rádio na época em que atuou na tele novela General Hospital, mas nada fala do seu atual companheiro, o analista financeiro Carlos González.

Getty Images
Ricky Martin e Carlos González, em um dia na praia

Em compensação, Ricky  fala muito dos seus dois filhos, os gêmeos Valentino e Matteo, desde quando decidiu ser pai, a escolha da mãe que os gerou por barriga de aluguel, o nascimento e sua nova vida desde então, mostrando-se um pai sempre presente e muito ligado aos dois.

Getty Images
Ricky com os filhos, logo após o nascimento

Ao terminar a leitura de Eu, se você é gay assumido, você vai se sentir feliz por testemunhar o desabafo de um menino que fez três testes para virar Menudo, que sofreu por ser migrante latino nos Estados Unidos devido a seu sotaque e por não falar inglês, que não sabia se era melhor como ator de novela ou cantor, e que hoje se tornou um ícone do bem para novas gerações de garotos.

Se você não é gay, o livro vai ajudá-lo a desfazer preconceitos,saber sobre os relacionamentos de Ricky com mulheres e, para quem tem a mente aberta, buscar inspiração para uma vida mais autêntica e menos encanada.

Eu
Título: Eu
Autor: Ricky Martin 
Editora: Planeta
Edição: 1
Ano: 2010
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 304 páginas
Quanto: R$ 27,90 - preço promocional 
Onde Comprar: Livraria da Folha
COTAÇÃO DO KLAU:

domingo, 29 de maio de 2011

FABIO ASSUNÇÃO: PALCO ABERTO


Após 11 anos longe do teatro, Fabio Assunção volta à cena, ganha uma nova filha e fala sobre sua recuperação com muito trabalho

A vida pública e a intimidade de Fabio Assunção andam em descompasso. 

Ele quer falar sobre, pensar a respeito e se concentrar em seus próximos trabalhos. 

O que as pessoas querem saber é sobre seu drama com as drogas. 
Confiante, simpático e sorridente, ele recebe Serafina para uma entrevista a 40 dias de sua volta ao teatro depois de 11 anos longe dos palcos. 

Fotos: Bob Wolfenson 

Mas torna-se desconfiado, tenso e reflexivo quando a conversa envereda para seus problemas pessoais. 
"Se eu não tivesse essa tensão, seria um cara confortável com uma coisa que me fez mal", justifica Fabio. 

É simples comprovar esse descompasso. 
Se você digitar "Fabio Assunc..." no Google, a primeira coisa que aparece é: "Fabio Assunção drogas". 
"É desconfortável saber que alguém vai clicar meu nome e encontrar essa discrepância. Isso marcou minha vida, mas minhas vitórias também marcaram. É uma questão de tempo isso mudar." 

No momento, a vida profissional de Fabio Assunção parece estar em "pause". 
Mas não está, pelo contrário. 
Com a agenda lotada de trabalhos, ele espera que, em alguns meses, o interesse pelo seu nome vá além das notícias dos últimos anos. 

Sua nova peça, a primeira desde 2000, chama-se "Adultérios" e foi escrita por Woody Allen em 1995. 
Originalmente chamada "Central Park West", se passa no grande parque nova-iorquino, onde seu personagem, um escritor que aguarda sua amante, começa uma conversa surreal com um mendigo amalucado. 
"Fazer teatro é como começar um novo romance. Inspira exclusividade", diz. 

A peça também está sendo produzida por Assunção e a estreia acontece no teatro Shopping Frei Caneca, em São Paulo, em 5 de julho. 

O fato de o interesse público a respeito de um dos atores mais queridos do Brasil recair em cima de sua intimidade, em vez de seu trabalho no cinema ou na TV, provavelmente depõe mais contra nós do que contra ele. 
Independentemente disso, quem enfrenta diariamente o "Fabio Assunção drogas" é o Fabio Assunção que está sentado em frente ao repórter. 
Ele roda sem parar, no dedo anular esquerdo, sua enorme aliança fabricada com três tipos de ouro (amarelo, branco e rosa) e resume o que pensa do assunto: 
"Não gosto".

ROTEIRO
O ator também tem planos para o cinema e a TV. 
No segundo semestre, foi convidado a gravar um episódio da série "As Brasileiras", de Daniel Filho. 
Na mesma época, entra em cartaz o longa "O País do Desejo", de Paulo Caldas (de "Baile Perfumado"), em que Fabio interpreta um padre. 
E acabou de assinar contrato para atuar em um novo filme, produzido por Mariza Leão, de "Meu Nome Não É Johnny". 


Além disso, há dois anos e meio, escreve um roteiro para o cinema, a respeito da relação entre um pai e um filho. 
Mas as lembranças dos dramas recentes ainda são fortes. 
Em 2008, Fabio saiu na metade da novela "Negócio da China" e se internou numa clínica nos Estados Unidos para tratar a dependência de cocaína. 
"Fui lá porque, na primeira vez em que fui no Narcóticos Anônimos, saiu no jornal. Minha condição de vida não permite o anonimato, mas é uma deselegância enorme falar assim de um local de compartilhamento e de privacidade." 

Um dos lados mais obscuros do vício são as recaídas. 
E a recaída do galã da Globo virou manchete. 
No final do ano passado, estava escalado para ser protagonista de "Insensato Coração", mas foi afastado após faltar a gravações. 
"O tratamento envolve você estar em casa, com a sua família, e com a pessoa com quem você faz análise. Fui para o Rio gravar e fiquei num hotel sozinho. Teria de ficar 11 meses. Depois de duas semanas, desisti." 

Ainda não era a hora. 
"Depois dos Estados Unidos, num segundo momento, fiquei cinco meses em dois lugares diferentes no Brasil. Mas o tratamento ainda está sendo feito agora e não acaba. Tenho psiquiatra uma vez por mês e faço duas sessões de análise por semana." 

O ator optou por uma pequena produção para voltar a atuar. 
Mas, dois meses antes de completar 40 anos (em 10 de agosto), e depois de 21 anos de atuação, já se sente maduro o suficiente para encabeçar um grande elenco no palco. 
Em "Adultérios", seus colegas de cena são Norival Rizzo, no papel do mendigo, e Carol Mariottini, que vive a amante, sob direção de Alexandre Reinecke.

 Inquieto, tem ensaiado os dois papéis, o do escritor e o do mendigo doido. 
"O Norival é um ator excelente e estamos pensando em alternar. Algo do tipo: quinta e sábado, eu faço o escritor; sexta e domingo, o mendigo".


ELE E ELLA
Fora desse descompasso está Ella Felipa. 
É uma menina que faz três semanas na segunda-feira, 30/5, e que, por nove meses -enquanto estava na barriga de Karina Tavares-, chamava-se apenas Felipa. 
"Eu gostava do nome simples, mas sinceramente acho Felipa muito certinho, muito correto demais, muito número par, entende? Dei várias sugestões nesses nove meses, mas a Karina não comprou nenhuma ideia." 

De repente, no domingo, depois do jogo contra o Santos no Pacaembu (que terminou 0 x 0, para desânimo do corintiano e de seu primeiro filho, João, 8), pintou um nome na cabeça. "Deixa eu colocar Ella antes do Felipa?", implorou o papai. 
Karina e o sogro aprovaram e as contrações começaram. 
"Ela ouviu o nome e saiu", gaba-se. 

O nome não é uma homenagem à cantora Ella Fitzgerald, mas poderia ter sido. 
Esse terreno é fértil na imaginação de Fabio Assunção, um jazz maníaco de primeira categoria. 
Wynton Marsalis é um de seus preferidos. 
George Benson é outro. 
Seu amor pela música provocou uma ideia curiosa: 
"Eu e a Karina estamos pensando em não dar muito acesso a imagens para a Ella nesse primeiro ano. Nem DVDs infantis nem joguinhos no iPad. Tenho a sensação de que tudo que bate ali, nesse momento, fica; é importantíssimo." 

Daí a ideia de prover Ella Felipa apenas de comida, amor e canções. 
"A música te leva a outros lugares. Todo dia coloco ela no meu peito e ficamos uma hora e meia ouvindo blues, jazz, música clássica... Mas também baixei a série 'for babies' [para bebês]. Escutamos Beatles for babies, Elvis for babies, Coldplay for babies etc." 
Essa série traz as músicas tocadas de forma singela, uma tortura para roqueiros tradicionais, mas uma delícia divertida para pais e rebentos. 
Quando Fabio conta que baixou esse material auditivo pela internet, pergunto a ele sobre pirataria. 
"Não baixo nada pirata. Tenho conta na Apple americana e uso a loja do iTunes. Não tenho nenhum filme pirata em casa. Mas faço CDs para os amigos o tempo todo." 

Sua biblioteca musical é de tirar o chapéu. 
Ele tem um disco de um terabyte só com músicas, mais 167 gigabytes de canções em seu computador. 
Se ele fosse para uma ilha deserta apenas com seus 167 gigas e um fone de ouvido, talvez morresse de fome antes de escutar tudo: seriam necessários dois meses e meio, 24 horas por dia, para que todas as canções fossem executadas sem repetição. 
Já seu disco com um terabyte rodaria por 437 dias e noites, ou uns 15 meses consecutivos sem dormir. 


As diferenças entre o pai de João, 8, e o pai de Ella Felipa são muitas. 
A mulher, em 2003, era a ex-modelo e empresária Priscila Borgonovi. 
Hoje é a publicitária e fotógrafa Karina Tavares. 
A necessidade de provar a si mesmo que era bom pai levava Fabio a querer participar de todos os momentos. 
Hoje, está mais tranquilo: 
"Sei que sou um pai presente". 

As expectativas também eram bem diferentes. 
"Com João, tudo era mais fantasioso. Por exemplo, pedi para o médico colocar música clássica na sala do parto na hora do nascimento. Mas, na confusão do momento, não dei o CD para ele. O médico lembrou do meu pedido e ligou numa rádio, com um locutor falando do trânsito (risos)."

NA VILA MARIANA
Esse amor pela música, que impele Fabio Assunção em seus momentos mais importantes, vem de longe. 
Começou a aprender piano aos 9, e passou para coral e violão. 
Com 15 ou 16 , fundou sua própria banda de rock, a Delta T, na qual tocava guitarra. 
Escrevia canções como "Procurando por Ti" e cantava. 
"Foi um desastre completo", lembra. 

O pai trabalhava em banco e, após 25 anos, comprou uma banca de jornal na Vila Mariana, onde moravam. 
A mãe foi professora e diretora de escola municipal. 
Apesar do fracasso como roqueiro, a experiência de certa forma o levou à atuação. 
No ginásio, Fabio exercitava seu QI de 133 (inteligência muito acima da média, segundo a escala) no colégio Bandeirantes. 
Mas festivais de música pela rede Objetivo o aproximaram da unidade Vergueiro dessa escola, onde foi fazer o colegial. 

A 100 metros, ele descobriu o Centro Cultural São Paulo e, lá dentro, um grupo de teatro amador - nota do Klau: foi nessa época que eu, que fazia parte desse grupo, o conheci.

Daí para a estreia no infantil "A Bruxinha que Era Boa" foi um ano. 
Cursou seis meses de publicidade e largou para entrar na Fundação das Artes, escola de teatro em São Caetano. 
Tinha 17 anos. 
Um ano depois estava na Globo. 

E o que atraiu Fabio para o mundo das artes? 
"Tinha um cara no grupo de teatro que não tinha dinheiro nem para um despertador. Para conseguir ir para o ensaio, ele bebia alguns copos de água antes de dormir. O que o acordava toda manhã era a vontade de urinar. Era o despertador do cara!".
Pessoas assim cativaram Fabio Assunção para sempre. 
Hoje, ele é um deles. 
"Sou melhor hoje do que há dez anos. Há mais coisas positivas do que negativas, pois as negativas já passaram. Aconteceu. E é isso."

Matéria do Jornalista Ivan Finotti para a revista Serafina, da Folha de S.Paulo de hoje

*****
O Brad Pitt brasileiro?
Por Laura Mattos

Fabio Assunção tinha tudo contra ele em 2007: era o mocinho da novela, enfrentava como antagonista um vilão charmoso de Wagner Moura e, pior, estava viciado em drogas. 

Em uma cena de "Paraíso Tropical", Moura pega Assunção pelo colarinho e o prensa contra a parede. 
Assunção surge em close, magro, abatido, e boa parte daquilo não era ficção. 
Mas levou a novela até o fim, até Daniel acabar com Olavo. 
Não era qualquer bonitinho que Moura enfrentava. 

Com carinha de anjo, Assunção corria o risco de ficar preso aos papéis de bom moço. 
E assim foi por um bom tempo. 

Mas ele sempre brigou com seu "physique du rôle", e não só fora da tela. 
Em 2004, vestiu terno preto, camisa preta e gravata preta para interpretar Renato Mendes, o jornalista mau caráter de "Celebridade". 
Era um vilão de Gilberto Braga, grande responsabilidade, e Assunção se saiu muito bem, um sacana encantador. 

Mas os problemas pessoais ofuscaram o talento em 2008, quando abandonou o mocinho de "Negócio da China"
Doente, não conseguia mostrar muito mais que os olhos azuis. 

No ano passado voltou à TV em grande forma, na minissérie "Dalva e Herivelto", após uma temporada de manchetes sensacionalistas. 
Com o bigodinho, o terno branco e as marchinhas de Herivelto Martins, deixou de lado aquele baixo astral. 

Em cena, é um ator que faz o público ver o personagem, não o cara com altos e baixos na vida privada. 

No final de 2010, abandonou o papel de vilão de "Insensato Coração", a pouco mais de um mês da estreia. 

Fabio Assunção não é alguém que se substitui facilmente. 
Sempre soube escolher papéis e brigar contra estereótipos. 
É ele seguir na busca por trabalhos mais densos, vencer seu problema pessoal e teremos o nosso Brad Pitt.

*****
De minha parte, considero Fábio Assunção o melhor ator da geração dele, disparado.
Vê-lo num palco é um momento precioso, especialíssimo, e com certeza estarei na estreia dessa nova peça em que atuará, e com certeza brilhará como sempre.

Toda sorte, saúde e felicidade para Fabio Assunção, seus filhos, sua família, sua vida.

sábado, 28 de maio de 2011

EM ENTREVISTA À "PLACAR", CASAGRANDE REVELA GRATIDÃO A GALVÃO BUENO

O ex-boleiro e atual comentarista Walter Casagrande Jr. viveu um drama pessoal intenso, que acabou vindo na público em 2007, quando após uma batida de carro ele foi internado pela família em uma clínica de reabilitação para tratar-se do vício em drogas.

Hoje, recuperado e confirmado no time da Rede Globo para a transmissão da Copa América, Casão falou à revista Placar sobre sua fase obscura e revelou um sentimento de gratidão eterno ao narrador Galvão Bueno.

Casagrande explicou na conversa seu problema com as drogas e afirmou que ele é mais profundo, relacionado à aposentadoria dos gramados.
“A euforia [de marcar gols e conquistar títulos] fica dentro do jogador para sempre. Eu tentei tapar esse vazio e me ferrei”, afirmou ele.

“Eu tinha um mecanismo de autodestruição, queria acabar com a minha vida. Quando estava sozinho, me achava um bosta. Me afundei, quase morri.”

João Sal-Folhapress
O ex-boleiro e comentarista da Globo Walter Casagrande Jr.

A entrada na clínica de reabilitação não foi um desejo do ex-craque: segundo Casagrande, quando ele abriu os olhos após o acidente, já estava internado.
“Meus problemas emocionais eram tão graves, que só as drogas me saciavam. Eu sempre queria mais”, completou ele à Placar.

Recuperado, Casagrande retornou à TV há dois anos, aparecendo primeiramente no programa Arena, do SporTV, à época apresentado por Cléber Machado - o episódio ficou marcado como um renascimento após largar o vício.

Apesar de se considerar mais respeitado na Globo após sua luta, o comentarista revelou que teve uma ajuda fundamental de Galvão Bueno para se manter nas transmissões, principalmente na viagem à Copa do Mundo da África do Sul, em 2010.

“O Galvão sempre brigou lá na Globo quando eles tinham dúvidas se eu poderia ir para a Copa de 2010, se estaria bem. E o Galvão disse: ‘Tem que ir, vai ser bom para ele estar lá, do nosso lado’”, contou Casagrande.
“Ele foi uma das pessoas que mais me ajudaram após meu problema e pode contar comigo para o resto da vida.”

Casagrande também contou como foi seu início com as drogas, ainda jovem.
“Desde novo eu usava. Na época em que jogava, com 18, 19 anos, eu fumava só um baseadinho. Nem bebia. Saía com o Magrão [Sócrates] e, enquanto ele tomava cerveja, eu bebia refrigerante. Meu uso de droga problemático, doentio, veio bem depois, não envolvia ninguém. Eu me isolava. Me tornei insuportável para mim mesmo”, explicou.

Outro tema relembrado por Casagrande na entrevista à Placar foi sua participação nas telonas, onde apareceu até em cena erótica na pornochanchada Onda Nova, que tinha no elenco, entre outros, Carla Camurati, Tânia Alves, Vera Zimmerman, Regina Casé. Cristina Mutarelli e Patricio Bisso.

Na hora de avaliar sua atuação no filme - que foi interrompida no meio, quando ele brigou com a direção e abandonou o projeto - o comentarista não pegou leve.

"Péssima! Na primeira cena, vem uma mulher na minha direção e diz: 'Eu sou virgem e queria que você me descabaçasse'. Aí eu respondo: 'Vamo andando aí' (risos). Imagina a minha cara assistindo ao meu filme?".

Veja a cena:

A confirmação de sua ida à Copa América, este ano, é uma vitória e o sucesso em seus três objetivos para este ano: renovar seu contrato, ir à competição e comprar um novo apartamento.

Grande Casão! Adoro ele!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"UM NOVO DESPERTAR" É MEL GIBSON RESSURGINDO DAS CINZAS, PELA MÃO AMIGA DE JODIE FOSTER


Nos começo dos anos 80, eu simplesmente adorava Mel Gibson: me encantei com sua estreia nas telonas em Mad Max (1979), e continuei achando que ele era um bom ator, seja na saga Máquina Mortífera (a partir de 1987), até ele arrebentar em Maverick (1994) e Coração Valente (1995), para mim seu melhor filme.

Deve ser por tudo isso que eu fiquei chocadíssimo com suas declarações anti-semitas e homofóbicas,e mais ainda, quando deu de fazer filmes estranhíssimos, como A Paixão de Cristo (2004), falado em aramaico, e Apocalypto (2006), falado numa língua que até hoje não sei o que era...

A partir daí, me foi ficando muito difícil separar o Mel Gibson ator do Mel Gibson que, fora das telonas, vive falando asneiras e se envolvendo em confusão e bebedeiras, inclusive espancando namoradas.


Seu novo filme, Um Novo Despertar, nem se dá ao trabalho de pedir ao público que faça essa separação, porquê o protagonista tem muito mais do homem do que do ator.


A diretora Jodie Foster - amiga pessoal de Gibson desde que protagonizaram Maverick, e que além de dirigir, aqui interpreta a mulher do protagonista - foi de uma coragem ilimitada.
Por seus constantes escândalos, não é qualquer um que escalaria o ator atualmente, mas amigos fiéis servem para isso mesmo e ela pagou o preço de resgatar o bom ator das cinzas, lhe dando o papel principal.


Resultado: o filme foi mal de bilheteria nos EUA e Foster admitiu no Festival de Cannes, há alguns dias, que a presença de amigo pode ter tido alguma influência neste mau resultado.


Mas vamos ao filme:


Gibson é Walter Black, pai de família, proprietário de uma fábrica de brinquedos que está em seu limite e, depois de uma tentativa frustrada de suicídio, começa a se comunicar usando apenas um castor de pelúcia que acha no lixo.


A partir daí, a família toda, inclusive seus dois filhos - o adolescente Porter, interpretado por Anton Yelchin e o caçula Henry, papel de Riley Thomas Stewart -, passa por uma transformação junto com o pai.

Divulgação
Riley Thomas Stewart, Mel Gibson e o castor, em cena do filme


O roteiro do estreante Kyle Killen acredita na mudança dessa instituição chamada família, e a cura da depressão de Walter é tão poderosa que erradica também o mesmo mal da vida do filho mais velho por consequência, e, assim, o filme é o veículo perfeito para explicar o comportamento de Gibson fora das telonas, já que o castor se torna o porta-voz de Walter e o acompanha a todos os lugares - inclusive no banho ou a um jantar romântico com a mulher, Meredith.


Se no início é engraçado, o castor, onipresente em quase todas as cenas, torna tudo muito cansativo -  mesmo assim, o bicho de pelúcia rouba a cena, porque é mais interessante do que todos os personagens juntos.


É como se ganhasse vida própria e passasse a mandar em seu dono, dando ordens, guiando suas ações e falas.


O filme sai ganhando quando se concentra mais na trama do filho mais velho, também depressivo,quando ele se envolve com Norah - papel de Jennifer Lawrence, de Inverno na Alma -, que também tem problemas emocionais, e com a mãe dela,deixando de lado Walter e seu castor.


Transitando entre o trágico e o bizarro de toda a situação, o subtexto do filme nos pede para que tenhamos compaixão com Mel Gibson - o que, aqui, é pedir demais de um filme que não oferece muito em troca.
Como renascimento de um grande ator, porém, Um Novo Despertar merece uma olhada.

Confira o trailer do filme:

*****
UM NOVO DESPERTAR
Título original:
The Beaver
Diretora:
Jodie Foster
Elenco:
Mel Gibson
Jennifer Lawrence
Anton Yelchin
Jodie Foster
Paul Hodge
Michelle Ang
Riley Thomas Stewart
Kris Arnold
Ernest E. Brown
John Bernhardt
Produção:
Steve Golin
Keith Redmon
Roteiro:
Kyle Killen
Fotografia:
Hagen Bogdanski
Trilha Sonora:
Marcelo Zarvos
Duração:
Cansativos 93 min.
Ano:
2010
País:
EUA
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Anonymous Content
Classificação:
Livre
COTAÇÃO DO KLAU: