sábado, 2 de julho de 2011

ITAMAR FRANCO: NO MEIO DE TANTOS CARROS DE BOI DA POLÍTICA, O PRESIDENTE QUE GOSTAVA DE FUSCA, NA VERDADE ERA UMA FERRARI

Engenheiro de formação, mas Mestre da Política por vocação, Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu em 28 de junho de 1930 a bordo de um navio que estava ao mar da costa da Bahia.

É desse episódio que os seus amigos tiravam a piada, de que ele "era assim, tão enjoado, porque tinha nascido num navio".

Sua carreira política teve início no MDB - Movimento Democrático Brasileiro - único partido de oposição durante a ditadura militar, legenda pela qual foi eleito prefeito de Juiz de Fora em duas gestões, entre 1967 e 1971 e entre 1973 e 1974.

Também pelo MDB, Itamar chegou a Brasília para seu primeiro mandato como senador em 1974, em meio a uma onda oposicionista que varreu o país naquela eleição.

Reelegeu-se em 1982 - já como militante do PMDB, e, quatro anos depois, migrou para o PL, após divergências com o diretório mineiro do PMDB, onde chegou a concorrer ao governo de Minas, mas perdeu a disputa para a antiga legenda.

Em 1989, durante as primeiras eleições diretas para presidente depois da ditadura militar, Itamar foi eleito vice-presidente do Brasil pelo PRN, na chapa de Fernando Collor de Melo, que recebeu 20 milhões de votos no primeiro turno e 35 milhões no segundo turno, contra o petista Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi a partir desse momento que sua vida pública atingiu um apogeu que poucos, muito poucos brasileiros tiveram a honra de viver.

Itamar Franco assumiu a Presidência da República em 2 de outubro de 1992, depois da renúncia de Collor e do processo que levou ao seu impeachment, permanecendo no mais alto cargo da nação durante exatos dois anos, três meses e 29 dias.

E foi nesse pouco tempo que Itamar deu show de política.

Logo no início de seu governo, Itamar tomou o que foi, para mim, uma das maiores decisões que um presidente brasileiro já tomou: peitou o cacique baiano Antonio Carlos Magalhães, o nefasto ACM, que há muitos anos mamava com sua quadrilha nas tetas da República, principalmente através do Ministério das Comunicações.

No primeiro grito do cacique baiano, o presidente Itamar gritou mais alto, e disse, na cara do baiano, que em seu governo ele não poria o dedo em nada.

ACM bufou, esperneou, mas viu que o buraco finalmente era agora mais em baixo, liberando seu partido, então chamado PFL - que antes se chamava Arena e hoje se chama DEM - participar da coalizão de partidos, cujo objetivo era garantir a governabilidade e a estabilidade democrática após o processo de impeachment de Collor que mobilizou a sociedade, além da administração dos crescentes problemas econômicos, como a escalada da inflação.

Lula Marques/Folhapress
Itamar Franco ocupa a tribuna do Senado da República pela última vez, no último dia 11 de maio

E seus bons feitos continuaram: em seu governo deu-se a a aprovação do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) que, em 1996, passou a se chamar CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Em 1993, o governo realizou um plebiscito previsto na Constituição de 1988 para escolher a forma e o sistema de governo brasileiros.
O resultado confirmou o regime republicano e o sistema presidencialista.

Ainda em 1993, Fernando Henrique Cardoso - brigando contra absolutamente todos os caciques do seu partido, o PSDB - foi nomeado ministro da Fazenda, e incumbido da tarefa de combater a inflação.

No mesmo ano, o Brasil finalmente deixou de ser o tal "país do futuro", e passou a ser "o país com futuro".

O Governo Itamar adotou o Cruzeiro Real,  foi lançado o Plano de Estabilização Econômica - que preparou o país para a introdução de uma nova moeda - e, em julho de 1994, o Real,  nossa nova e valorizadíssima moeda, começou a circular.

A estabilidade econômica do Plano Real, e a consequente queda da inflação, garantiu a FHC a vitória na disputa presidencial daquele ano.

Tudo isso em apenas dois anos, três meses e 29 dias de Itamar como Presidente da República.

Desde que passou a faixa de presidente a FHC - em 1º de janeiro de 1995 - Itamar seguiu na vida pública: tornou-se embaixador do Brasil em Portugal - entre 1995 e 1996 - e, depois, representou o país na OEA (Organização dos Estados Americanos) - de 1996 a 1998.

Neste mesmo ano, depois de não ter conseguido a indicação do PMDB para disputar a Presidência, Itamar venceu as eleições para o governo de Minas Gerais, onde fez também um belo governo, entregando ao seu sucessor, Aécio Neves, um estado saneado e com as contas absolutamente em dia.

Itamar ainda tentou concorrer nas eleições presidenciais de 2002 e 2006, mas perdeu a indicação do partido novamente para outros candidatos.
Nessas duas eleições, apoiou Lula, inclusive levando o candidato por Minas Gerais toda, em incansáveis marchas e comícios

Em 2009, anunciou sua filiação ao PPS e, no ano seguinte, disputou as eleições para o Senado, quando foi eleito senador por Minas com 5.125.455 votos, tendo como primeiro suplente José Perrela, presidente do clube de futebol Cruzeiro.
Nessa eleição, deu outra prova de sua independência: contra tudo o que se esperava, apoiou José Serra para presidente.

Itamar era um participante ativo da base de sustentação da presidenta Dilma no Senado da República, até que a leucemia - detectada após o presidente realizar exames devido a uma forte gripe- o abateu, em maio último.
Desde então, estava licenciado do cargo e seguia internado, primeiro no Hospital Sírio Libanês, depois no Hospital Israelita Albert Eistein, aqui em SP.

No último dia 27 de junho, porém, o boletim médico mostrou que o senador havia contraído uma pneumonia grave e foi transferido para a UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) do hospital.

Um dia depois (28), o melhor presidente da República que eu tive a honra de ver governar completou 81 anos.

Hoje (02), o guerreiro democrata desistiu, e Itamar Franco morreu aos 81 anos no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Segundo o hospital, Itamar morreu às 10h15 após acidente vascular cerebral.

O corpo será transferido para Juiz de Fora (MG), para ser velado e depois para Belo Horizonte, cidade na qual, por desejo do presidente, o corpo será cremado, após receber homenagens no Palácio da Liberdade.

A presidenta Dilma decretou luto oficial de sete dias em sua homenagem.


REPERCUSSÃO DA MORTE DE ITAMAR:
  • Dilma Rousseff, presidente da República

    Dilma Rousseff, presidente da República

    "Foi com tristeza que recebi a notícia do falecimento do senador e ex-presidente Itamar Franco. Dirigente do país em um momento crucial da nossa história recente, o presidente Itamar nos deixa uma trajetória exemplar de honradez pública. O Brasil e Minas sentirão a sua falta. Neste momento de dor, quero transmitir meus sentimentos a seus familiares e amigos?
  • Fernando Collor, senador e ex-presidente

    Fernando Collor, senador e ex-presidente

    "Sinto muitíssimo a perda de um amigo e grande presidente do nosso país. Itamar foi um companheiro inexcedível durante o período em que militamos juntos na política. Perde o Senado e a vida pública brasileira. Um homem digno, coerente, ético e defensor intransigente dos seus ideais"
  • Lula, ex-presidente da República

    Lula, ex-presidente da República

    "Mesmo nos momentos de divergência política mantivemos uma relação de profundo respeito e diálogo. Quando assumiu a Presidência em um momento conturbado, em 1992, teve sabedoria para dialogar com toda a sociedade brasileira e ajudou o país a entrar em uma rota positiva na política, na economia e no social. No seu governo implementou o Plano Real, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e engajou o governo federal no combate à fome, com o apoio a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, junto ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. A contribuição de Itamar Franco foi fundamental para a construção coletiva de um país democrático, mais justo e sem pobreza. Nesse momento de tristeza, prestamos solidariedade aos seus familiares e amigos"
  • Michel Temer, vice-presidente da República

    Michel Temer, vice-presidente da República

    "Itamar Franco exerceu os mais altos cargos da República sempre com retidão, dignidade e, acima de tudo, espírito público. Tornou-se, por essas razões, um exemplo para todos os políticos brasileiros. Na fileiras do PMDB, participou da árdua luta pela redemocratização. Trazia em si o espírito das montanhas de MG e representou como poucos seu Estado. Foi prefeito inovador, senador diligente e, quando o país precisou, ousou na área econômica implantado o Plano Real. Por sua obra inatacável, Itamar Franco merece o respeito e o agradecimento de todos brasileiros, do povo mineiro e de sua cidade tão reverenciada, Juiz de Fora"
  • José Sarney, presidente do Senado

    José Sarney, presidente do Senado

    "Um dos maiores brasileiros do seu tempo, tendo exercido uma vida pública com dedicação total ao país, colocando suas qualidade de honradez, dignidade, inteligência e capacidade a serviço das grandes causas nacionais. (...) Pessoalmente, devo acrescentar a esta dolorosa notícia o fato de ter perdido um grande amigo cuja convivência de muitas décadas criou um vínculo de afeição e admiração pela sua personalidade inconfundível e pela firmeza de suas convicções"
  • Marco Maia, presidente da Câmara

    Marco Maia, presidente da Câmara

    "O caráter nacionalista e empreendedor sempre foi sua marca forte. O ex-presidente Itamar sempre expressou um sentimento de proteção e defesa dos intereses do Brasil em qualquer circunstância. Era um nacionalista nato que sabia ser polêmico, mas, ao mesmo tempo, um construtor de alternativas para enfrentar os principais problemas do país. Amava o Brail como amava o seu povo"
  • Zezé Perrella, suplente de Itamar no Senado

    Zezé Perrella, suplente de Itamar no Senado

    "Os compromissos do ex-presidente para com Minas e o Brasil são conhecidos por várias gerações de mineiros, e deles todos nós nos orgulhamos. Tive a honra de ter sido indicado pelo meu partido, o PDT, como suplente do senador Itamar nas últimas eleições. Lamentando profundamente as circunstâncias, manifesto a todos os mineiros o meu compromisso de dar o melhor de mim para garantir a continuidade do trabalho do senador Itamar em defesa dos interesses de Minas"
  • Aécio Neves, senador PSDB-MG

    Aécio Neves, senador PSDB-MG

    "Itamar se despede de Minas e do Brasil deixando atrás de si um imenso vácuo de saudade e admiração. Foi um homem excepcional e singular naquilo que é tão precioso e tão raro na vida pública: a fidelidade aos seus princípios e convicções. Nunca foi omisso e, no exercício da Presidência e do governo, honrou as melhores tradições de Minas sendo implacável na defesa do interesse público. Os mineiros, em toda a sua sabedoria, prestaram a Itamar, sem saber que seria a última, uma homenagem que teve para ele um significado muito especial. Ao levá-lo de volta ao Senado Federal, Minas manifestou a ele todo o seu reconhecimento e respeito e permitiu que ele vivesse um momento de especial importância na sua vida. Nesse poucos meses, iluminou o Senado. Nesse poucos meses, graças aos mineiros, o Brasil se lembrou do valor de Itamar. Para mim pessoalmente trata-se de uma perda irreparável. Mantive com Itamar, ao longo dos últimos 10 anos, uma convivência próxima e amiga. Sou testemunha do seu incansável trabalho por Minas, assim como sou testemunha da sua lealdade. Poucos homens honraram a vida pública com tanta bravura. Ele costumava dizer que tinha por mim um afeto paternal. Me despedi de meu pai no final do ano passado. Me despeço de Itamar agora. E não posso deixar de lamentar, com grande tristeza, profunda e intimamente, como filho e cidadão, as perdas que Minas vem sofrendo"
  • Antonio Anastasia, governador de Minas

    Antonio Anastasia, governador de Minas

    "Uma perda irreparável para Minas Gerais, não só pela sua trajetória política (...), mas em especial pelo seu senso político e público. Um homem que tinha, na realidade, uma vocação inacreditavelmente alta para a política e para fazer o bem. Um homem dedicado, de fato, às grandes causas do seu tempo. Defendeu Minas Gerais de maneira especial, enquanto senador, realizou um belo governo à frente do Estado, e como presidente da República será sempre lembrado como aquele que encerrou o ciclo da inflação como autor do Plano Real. Minas Gerais está em luto, estamos muito tristes com o falecimento do senador Itamar. Pessoalmente, perdi um grande amigo. Durante a campanha de 2010 tive a oportunidade raríssima de viajar Minas Gerais toda, lado a lado com Itamar Franco, aprendendo com ele, com seu ensinamento, sua experiência, com a sua maturidade. Mas, sobretudo, repito: com seu senso de serviço público, com seu senso de bem servir a Minas e ao Brasil. Aproximei-me muito do Senador sob o ponto de vista pessoal, tive nele um grande conselheiro. Itamar Franco deixará, permanentemente, na história de Minas, uma página de serviços prestados e a imagem de um homem dedicado, honesto, trabalhador, e sobretudo, sensível às causas sociais, aos mais simples, aos mais pobres"
  • Roberto Freire, deputado federal (PPS)

    Roberto Freire, deputado federal (PPS)

    "Itamar sempre primou pela ética na política e sua história é um exemplo para todos os brasileiros. Com sua firmeza e inteligência, assumiu a Presidência da República num dos momentos mais conturbados pós-ditadura [o impeachment de Fernando Collor] e deu início a uma verdadeira virada nos rumos do país. Foi com Itamar e o Plano Real, lançado em seu governo, que o país se livrou da inflação galopante, começou a se desenvolver e ganhar respeito internacional. O Brasil deve muito a esse grande homem"
  • Pedro Simon, senador PMDB-RS

    Pedro Simon, senador PMDB-RS

    "O Itamar era uma pessoa excepcional, baseada em uma atuação que consistia na integridade, na responsabilidade, na austeridade e dignidade. Desafio quem quer que seja a apontar uma vírgula sobre a atuação de Itamar que não tenha respeitado esses princípios.
  • Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

    Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

    "O Senador Itamar Franco foi um homem honrado, que assumiu a Presidência da República num período conturbado da política nacional, mas que com sua credibilidade e liderança conquistou estabilidade política e desempenhou papel importante na consolidação da democracia. Itamar foi um grande brasileiro, respeitado por todos, que escreveu seu nome na historia do Pais"
  • Geraldo Alckmin, governador de São Paulo

    Geraldo Alckmin, governador de São Paulo

    "Perdemos um grande brasileiro. Ético, honrado e trabalhador, esses são alguns dos muitos adjetivos para definir sua conduta. Sua honestidade, simplicidade e capacidade de agregar pessoas foram preponderantes para unir o Brasil em um momento delicado. Itamar serviu ao povo sem dele tirar qualquer proveito pessoal. Ele também marcou a história do país como o presidente da República que implantou as bases da estabilidade econômica com o Plano Real. Esta perda nos entristece"
  • Sérgio Cabral, governador do Rio

    Sérgio Cabral, governador do Rio

    "Morre um grande brasileiro. Que deu ao Brasil as estabilidades política e monetária num momento crucial da vida nacional"
  • Eduardo Paes, prefeito do Rio

    Eduardo Paes, prefeito do Rio

    "Itamar Franco foi acima de tudo um defensor da democracia. Seja no executivo ou no legislativo, a sua trajetória se confunde com os principais momentos da história política do Brasil nas últimas décadas. Foi o presidente responsável pela mudança do rumo da história econômica do País, com o Plano Real e a conquista da estabilidade. Sua morte é uma grande perda para todos os brasileiros"
  • Agnelo Queiroz, governador do DF

    Agnelo Queiroz, governador do DF

    "Itamar Franco foi uma grande expressão do nosso país. Um patriota nacionalista que cumpriu um papel importantíssimo na nossa história. Ele assumiu a Presidência da República em um momento de grande fragilidade e conduziu o Brasil à estabilidade. A estabilidade econômica foi a grande obra do governo Itamar Franco. O ex-presidente, portanto, deixou a marca dele na história do Brasil e por isso deve ser homenageado por todos os brasileiros"
  • Sérgio Guerra, presidente do PSDB

    Sérgio Guerra, presidente do PSDB

    "A biografia de Itamar Franco atesta a falta que ele vai fazer ao Estado de Minas Gerais, ao Brasil e aos seus familiares. Nos deixa um exemplo de como se pode fazer política pensando no interesse público. O PSDB lamenta sua morte"
  • Cristovam Buarque, senador PDT-DF

    Cristovam Buarque, senador PDT-DF

    "Itamar deixa 3 marcas fortes como presidente: não tolerou corrupção, recuperou autoestima do Brasil depois do impeachment e fez o Plano Real"
  • ACM Neto, líder do DEM na Câmara

    ACM Neto, líder do DEM na Câmara

    "Foi um grande brasileiro e sempre será lembrado pela implantação do Plano Real e estabilização do país. Não é só Minas Gerais que perde um senador. Todos nós perdemos um grande brasileiro, um homem público de qualidades irretocáveis, um quadro que vai fazer uma falta imensa à oposição e ao Brasil"
  • Humberto Costa, líder do PT no Senado

    Humberto Costa, líder do PT no Senado

    "Em meu nome e em nome da bancada do PT, venho externar profunda tristeza pela morte do senador e ex-presidente Itamar Franco. No Senado, eu e toda a bancada do PT pudemos aprender com a sua experiência e debater com o senadorquestões nacionais importantes. Itamar Franco contribuiu muito para a consolidação da democracia no Brasil e é o grande pai do Plano Real. Mesmo sabendo que em muitos momentos divergimos politicamente, sei que o Brasil hoje fica um pouco mais triste. O País perde um grande quadro político. Senador e líder do PT, Humberto Costa"
  • Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado

    Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado

    "A liderança do Democratas no Senado lamenta a morte do ilustre senador Itamar Franco, que aqui tanto contribuiu para o combate incessante ao totalitarismo, à marcha sobre o Congresso Nacional e ao mandonismo via Medidas Provisórias. Na Chefia do Executivo, o presidente Itamar Franco proporcionou ao Brasil a estabilidade de que o país desfruta ainda hoje na política e na economia, ainda que determinados setores do governo considerem 2003 o marco do descobrimento. Deixa o já saudoso Itamar Franco um legado de honestidade, resistência democrática, esforço, trabalho, resultado, eficiência, respeito. É um exemplo a ser seguido pela atual e futuras gerações, notadamente na política e na administração pública. Em sua homenagem, vamos reforçar a batalha diária por aquilo pelo qual ele tanto propugnava: manter a vigilância para prevenir desmandos, lutar pelo reparo das ilegalidades já cometidas com a devida punição aos responsáveis, legislar sem medo tendo como causa o bem-estar da população e o progresso do Brasil. Nossos sinceros pêsames à Nação por ficar sem figura histórica de tamanho peso, aos familiares pela perda irreparável, aos amigos pela ausência de alguém tão fiel a seus princípios e ao Senado que está órfão de um de seus maiores personagens ao longo de quase dois séculos"
  • Jorge Viana, senador PT-AC

    Jorge Viana, senador PT-AC

    "Itamar Franco nos deixou uma grande lição: sua devoção pela vida pública e pelo Brasil. Perdemos um político da maior integridade e de carreira singular. Tive o privilégio de conviver conviver com ele como governador e lamento ter sido curta a nossa convivência no Senado. Com sua morte, o Senado fica menor e a política brasileira perde um homem honrado"

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Com UOL, Globo,  e com meus sentimentos e meu coração

sexta-feira, 1 de julho de 2011

"TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA" É MUITO AÇÃO E NADA CINEMA

O diretor norte-americano Michael Bay afirmou, sério que é um diretor de movimento.
"Não se pode economizar na ação", disse em entrevista no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Responsável por filmes como Bad Boys, Pearl Harbor, A Ilha e Armageddon, ele sempre se esmerou, acertando ou não, para fazer o público prender a respiração em cenas explosivas.

Transformers: O Lado Oculto da Lua, nessa conceção de Bay, é aquilo que se vende.

Tendo como personagens os já conhecidos robôs alienígenas - os bonzinhos Autobots e os vilões Decepticons - aqui o que se vê é um sem-fim de sequências de ação, tão velozes quanto bem-executadas do ponto de vista técnico, potencializado pela versão 3D - enfim, um video game.

Só que, enquanto o diretor Bay se supera no visual, o conteúdo e a coesão do roteiro são deixados de lado, e a trama se desenrola de forma confusa, em meio à destruição de cidades inteiras.

A história começa com o desenrolar da guerra ancestral entre robôs, quando Sentinel Prime - voz maravilhosa de Leonard Nimoy, o eterno dr. Spock de Jornada nas Estrelas, a melhor coisa do filme - o líder Autobot, foge do seu planeta natal, Cybertron.

Divulgação
O Autobot Bumblebee, em cena do filme

Mais tarde, vemos que a nave caiu no lado escuro da Lua, fato que forçou a Rússia e os EUA a iniciarem a corrida espacial na década de 1960.

Vemos assim que a Apollo 11 teria ido à Lua com a finalidade de resgatar a tal espaçonave - o que ganha um verniz de verdade histórica com a confirmação do astronauta Edwin "Buzz" Aldrin, de 81 anos, sobrevivente da tripulação original da própria Apollo 11, em participação especial no filme.

Anos mais tarde, voltamos a encontrar Sam - Shia LaBeouf -, agora desempregado e já sem Mikaela - Megan Fox, expulsa da franquia pelo próprio produtor Steven Spielberg, por contestar Bay, a jegue - e, ao mesmo tempo, os Autobots ajudam os exércitos de paz pelo mundo a capturar os últimos Decepticons sobreviventes.

Divulgação
Shia Labeouf, em cena do filme

O que vem depois é a descoberta que o grupo de vilões, o governo dos EUA e uns pobres astronautas russos, sabem que no lado oculto da lua há uma arma poderosa que colocará em risco a vida na Terra, e restará a Optimus, líder dos Autobots, ajudado por Sam e o coronel Lennox - interpretado por Josh Duhamel -, evitar a iminente catástrofe.

Produção baseada em um brinquedo saudosista e sem narrativa dramática: essa é a opção assumida por Michael Bay  ao pesar a mão no lado estético, e a cena em que o homem pisa na lua, vista aqui em 3D, é a outra coisa boa do filme.

Sem um bom roteiro - de Ehren Kruger, de Os Irmãos Grimm - o diretor opta por caprichar no humor, aproveitando o carisma dos atores especialmente convidados, como John Turturro, Alan Tudyk, Frances McDormand e John Malkovich.

Voltando à entrevista no Copacabana Palace, Bay confessou que só aceitou dirigir a terceira parte da franquia - contrariando o que havia dito antes - por um pedido expresso de Spielberg.

Divulgação
O diretor Michael Bay, nos bastidores do filme

Disse que era praticamente uma ordem, deixando no ar que era mais uma brincadeirinha.

Mas ele falava a sério, pois Spielberg ainda é muito poderoso.

A jegue da Megan Fox que o diga.

Confira o trailer do filme:

*****
TRANSFORMERS - O LADO OCULTO DA LUA
Título original:
Transformers: Dark of the Moon
Diretor:
Michael Bay
Elenco:
Shia LaBeouf
Josh Duhamel
John Malkovich
Rosie Huntington-Whiteley
Ken Jeong
Patrick Dempsey
Tyrese Gibson
Alan Tudyk
Produção:
Ian Bryce
Tom DeSanto
Lorenzo di Bonaventura
Roteiro:
Ehren Kruger
Fotografia:
Amir M. Mokri
Trilha Sonora:
Steve Jablonsky
Duração:
Cansativos 154 min.
Ano:
2011
País:
EUA
Gênero:
Ação
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paramount Pictures Brasil
Estúdios:
Paramount Pictures
DreamWorks SKG
Hasbro
Classificação:
10 anos
COTAÇÃO DO KLAU:

"OS PINGUINS DO PAPAI" SÓ PROVA QUE, COM UM BOM ROTEIRO, JIM CARREY ARREBENTA

O ator Jim Carrey esteve no Rio de Janeiro, no começo dessa semana, para promover seu mais novo trabalho - Os Pinguins do Papai, que estreia hoje em cópias dubladas e legendadas.

Na entrevista coletiva, o ator acima da média defendeu obstinadamente seus "colegas de cena".
"Todos nós somos estranhos, e os pinguins são o reflexo disso na natureza. Eles são aves, mas também parecem meio peixes".

AgNews
Jim Carrey, na entrevista coletiva no Rio de Janeiro

As perguntas, lógico, foram em sua maioria de como foram feitas as cenas - no filme, dirigido por Mark Waters, Carrey contracena com... seis pinguins!

Carrey respondeu que foram usadas aves reais e mecânicas, mas confessou que gostou mesmo foi de trabalhar com os bichos de verdade.
"Eles são imprevisíveis, por isso engraçados. Não esperam marcação de cena, nem nada. Começavam a gritar do nada", disse o ator.

Carrey conta que também levou diversas bicadas de seus "colegas", mas não se importou com isso. 
"Eu precisava atrair a atenção deles, por isso meus bolsos estavam cheios de peixes, e eles corriam atrás de mim. Quando se vai alimentá-los, eles não diferenciam o dedo de uma sardinha e querem engolir tudo".

Carrey hospedou-se no hotel ícone Copacabana Palace, e na terça, babou e emocionou-se muito aos pés do Cristo Redentor.

AgNews
O ator, em visita ao Corcovado, na terça (28)

Hoje, imagens já mostravam o ator americano - babado e emocionado - nas ruínas peruanas de Machu-Pichu, também parte do seu périplo latino-americano de divulgação desse longa, onde Carrey é Popper, um empreiteiro de sucesso, que está tão centrado em sua ambição que não percebe o quanto se distanciou do filhos - interpretados por Madeline Carroll e Maxwell Perry Cotton, duplinha  muito boa.

Popper não vê o pai - que era um explorador - há anos e, quando este morre, deixa de herança um pinguim, e não tardam a chegar outros cinco.

Assim, os seis passam a viver no sofisticadíssimo duplex  novaiorquino de Popper, que adapta seu lar às condições climáticas das aves - as janelas passam a ficar o tempo todo abertas, e isso em pleno inverno.

Divulgação/Fox
Maxwell Perry Cotton e Jim Carrey, em cena do filme

Fazia tanto frio, que Carrey comentou na entrevista: "Rodar as cenas em que o apartamento está bem frio foram os piores momentos".

Aos poucos, com a ajuda dos inseparáveis pinguins, Popper volta a ter humanidade, e volta novamente a ter boa convivência com seus filhos e até com a ex-mulher - Carla Gugino.

Na vida real, Carrey contou que é bem próximo de sua filha, Jane Erin, e de seu neto, Jackson Riley Santana, de pouco mais de um ano.

Divulgação/Fox
Popper, seu filho e os pinguins, no Central Park coberto de neve

Quando perguntam sobre como é ser avô, o ator faz cara de bravo e diz que não quer falar sobre o assunto, ameaçando até mandar tirar a repórter da sala.

Brincadeira, claro, como tantas outras que fez durante a coletiva, recheada com suas caras e bocas e bom humor, para logo depois comentar: "Ele nasceu no mesmo hospital que minha filha havia nascido. Foi fascinante. Estou adorando a experiência".

Mas não é apenas de crianças que Carrey diz gostar.
Ele conta que pretende trabalhar com todos os tipos de animais que existem no mundo - "Até com os híbridos ou os mutantes eu quero fazer filme. Já pensou uma mistura de peixinho dourado com gato, que fica se caçando o tempo todo? Mas, tenho de confessar, os pinguins são meus favoritos".

Para esta que foi sua primeira viagem ao Rio, Carrey confessou que pediu ajuda ao amigo Rodrigo Santoro, com quem contracenou em O Vigarista do Ano - no qual faziam um casal de namorados. "Desde criança eu era fascinado por esta cidade. Na escola, cheguei a montar uma maquete dela para um trabalho. E agora pude conhecer os lugares reais. No Cristo Redentor, notei que havia gente de todos os cantos do mundo, tirando fotos, se divertindo. Quero ir a Ipanema, conhecer a famosa garota. Gostaria também de ir me divertir na Floresta Amazônica".

Ele disse que finalmente resolveu vir para o Brasil de tanto ser convidado pelos brasileiros. "Eles não me deixam sozinho. Nas redes sociais, ficavam falando para eu vir para cá. E a primeira razão para vir, foi para dizer 'oi'", explicou, soltando o cumprimento em português - a relação de Carrey com as redes sociais é bem próxima, tanto que, no domingo postou um vídeo, feito por ele mesmo de um ônibus da torcida do Grêmio, que jogou contra o Botafogo no Rio.

Divulgação/Fox
Cena muito legal, onde Popper dança com as aves

"Eu acho interessante, porque são oportunidades para as pessoas se aproximarem. Acho que a questão já aparecia de certa forma em O Show de Truman", diz, lembrando do filme lançado em 1998, onde interpretou um homem que tem a vida televisionada sem que soubesse, desde o nascimento.

Esse é um dos dramas - e um dos pontos mais altos - da filmografia do ator, que confessa gostar de trabalhar em todos os gêneros, embora seja mais conhecido pelas comédias.
"Gosto de fazer filmes que incomodem as pessoas, como 'Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças', que é tão original, e tem um tema muito universal".

O filme tem uma direção segura e inventiva, e Nova York está maravilhosa coberta de neve.

O elenco coadjuva  Jim Carrey  com classe, e o ator dá seu show costumeiro quando topa com um roteiro bom como esse.

Diversão para toda a família.

Confira o trailer do filme:

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OS PINGUINS DO PAPAI
Título original:
Mr. Popper's Penguins
Diretor:
Mark Waters
Elenco:
Carla Gugino
Madeline Carroll
Angela Lansbury
Ophelia Lovibond
Philip Baker Hall
James Tupper
Maxwell Perry Cotton
Pepper Binkley
Kelli Barrett
Produção:
John Davis
Roteiro:
Sean Anders
John Morris
Jared Stern
Fotografia:
Florian Ballhaus
Duração:
Nada cansativos 94 min.
Ano:
2011
País:
EUA
Gênero:
Comédia
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Fox Film
Estúdios:
Paramount Pictures
Nickelodeon Movies
Davis Entertainment
Twentieth Century-Fox Film Corporation
Kerner Entertainment Company
Classificação: 
Livre
COTAÇÃO DO KLAU: