Se o próximo crossover das séries de heróis do The CW, intitulado "Elseworlds", só acontecerá em dezembro, os atores já estão dando um gostinho do que vem por aí.
Nessa semana, a atriz Melissa Benoist, intérprete da Kara Danvers, publicou em seu Instagram uma foto dos bastidores ao lado da Batwoman (Ruby Rose), de uniforme completo.
Confira:
Antes do mundo se apaixonar por Grant Gustin como o protagonista de 'The Flash', vale lembrar que o famoso velocista já tinha aparecido nas telinhas na década de 90, com John Wesley Shipp assumindo o papel do herói.
Numa espécie de homenagem, o ator veterano já apareceu na série do The CW como Henry Allen e Jay Garrick, mas as surpresas (e referências mil para os nerds de plantão) não terminaram.
Novas fotos de 'Elseworlds' confirmam que Shipp irá reaparecer com o uniforme original do Flash que usava na série de 1990 - a réplica foi criada pela figurinista Kate Main.
Uma das imagens foi compartilhada por Gustin e Stephen Amell, que aparecem na cena (como já vimos, de uniformes trocados) ao lado de Shipp e Melissa Benoist.
Veja:
Já outro vislumbre foi revelado pelo produtor Marc Guggenheim, responsável pelo novo crossover, que chamou o momento como "a coisa mais legal que fizemos após sete anos".
Veja:
Por fim, nessa foto de Shipp com Amell, podemos ver que o uniforme do magrelo Grant Gustin foi devidamente 'alargado' para que o intérprete do Arqueiro Verde pudesse caber dentro dele.
Veja:
O evento anual que junta as séries baseadas nos quadrinhos da DC, terá como novidades, além de John Wesley Shipp como o Flash dos anos 90, o Superman (Tyler Hoechlin) — com seu emblemático uniforme negro — a nova Lois Lane (Elizabeth Tulloch) e, claro a Batwoman (Rose) - além do aguardado troca-troca de personagens entre Barry Allen e Oliver Queen.
Tyler Hoechlin veste o uniforme negro do Superman nos bastidores do crossover
Estrelado por Stephen Amell, Grant Gustin e Melissa Benoist, "Elseworlds" começa no dia 9 de dezembro, com um episódio de 'The Flash'.
No dia seguinte, chega a vez de 'Arrow', enquanto a reta final do encontro de heróis termina com 'Supergirl', em 11 de dezembro.
Todas as séries do Arrowverse são exibidas no Brasil pelo canal Warner, que inclusive já estreou as novas temporadas por aqui.
De acordo com o Fandom Wire, a Batgirl é a próxima heroína da DC a ganhar sua própria série no DC Universe, serviço de streaming da editora
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O portal afirma, através de fontes diretamente ligadas à DC Entertainment, que a Warner Bros Television encomendou uma série live action de 13 episódios protagonizada pela heroína, alter ego de Barbara Gordon nos quadrinhos - não confundir com a série da Batwoman, que o The CW produz com Ruby Rose no papel principal e que será parte do Arrowverse.
Não foi revelado qual será o enfoque da série, tampouco se estaria conectada a outras novas produções do serviço, que já tem 'Titans', 'Doom Patrol' e 'Monstro do Pântano'.
A notícia ainda revela que as gravações da série teriam seu início em fevereiro de 2019, tornando a procura por uma intérprete de Barbara Gordon imediata.
Como sabemos, a versão live action mais famosa da Batgirl ainda é a de Yvonne Craig, na bat série (1966-1968) - relembre abaixo.
Yvonne Craig como Batgirl - Fox Film do Brasil
Vale lembrar que a DC ainda não se pronunciou oficialmente sobre a informação.
O visual do Bane - Entrevista com Cameron Monagham - Coringa dança com Arlequina e estreia vídeo do Dia das Bruxas - novas imagens do set - data de estreia confirmada, com dois episódios extras
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A quinta e última temporada de 'Gotham' apresentará Bane, o poderoso vilão do Homem-Morcego nas HQs da DC.
Agora, a produção revelou como será o visual do antagonista no seriado da Fox [via Entertainment Weekly].
Veja:
Além disso, uma foto dos bastidores mostra mais detalhes do personagem, que será interpretado por Shane West (Salem).
Confira:
Só que os fãs, ao que parece, não gostaram do visual do vilão.
Alguns compararam a vestimenta com a clássica de Darth Vader - e isso gerou muitos outros comentários.
"'Gotham' fez Bane parecer uma versão barata de Darth Vader".
"O uniforme de Bane de 'Gotham' parece um pouco familiar".
"Immortan Joe: Os Anos em 'Gotham'" - se referindo a uma foto do vilão de "Mad Max" - foram alguns dos comentários que surgiram no Twitter.
Os astros da série - Morena Baccarin, David Mazouz, Sean Pertwee, Cameron Monagham e Camren Bicondova, principalmente, continuam recheando suas contas do Instagram com novas imagens das filmagens da última temporada, quedestacam o uniforme que Bruce Wayne está usando.
O traje está sendo chamado no set de 'protótipo da roupa do Batman'.
Além disso, em uma das fotos, o protagonista aparece ao lado do grupo formado por Selina (Bicondova), Jim Gordon (Ben McKenzie), Doutora Lee (Baccarin), Charada (Cory Michael Smith) e o Pinguim (Robin Lord Taylor) - é a primeira delas, abaixo, com mais imagens do Bane.
Veja:
Bruce Wayne, vivido por David Mazouz, deve voltar a ter uma relação curiosa com o Jeremiah, interpretado por Cameron Monaghan, na 5ª e última temporada de 'Gotham'.
Ao ComicBook, o intérprete do vilão comentou sobre a história dos dois personagens.
Na 4ª temporada, Bruce Wayne descobriu Jeremiah, irmão gêmeo de Jerome – que em uma reviravolta, acabou morto.
No entanto, de um gênio benevolente e amigo do jovem Batman, Jeremiah mostrou a sua verdadeira face, o que ajudou a chegar no arco da 5ª temporada, em que Gotham está ilhada e em guerra civil.
“É uma relação estranha onde Bruce decide não estar no mesmo lugar de Jeremiah. Não é amor e respeito. Há ódio nela. É difícil para Jeremiah entender as complicações disso, ou ele é tão singularmente impressionado, devo dizer. Eu tenho que mostrar isso. Tenho que demonstrar”, explicou o ator.
Monaghan ainda comentou que um sentimento de amizade não correspondido pode mover algumas ações do vilão.
“É interessante porque há um vislumbre de humanidade e vulnerabilidade onde Jeremiah está na relação com Bruce. Eu acho que antes de ele se tornar do mal, ele teve esse momento com Bruce, onde teve uma amizade correspondida emocionalmente, intelectualmente, qualquer coisa entre ele e outra pessoa. E é meio trágico quando ele tem essa admiração e obsessão pela amizade. É amável. Ele pensa que vai conseguir convencer esse cara de seguir o mesmo caminho. Tudo que ele faz durante a temporada é para isso, e ele fará isso da maneira mais elaborada e violenta”, disse o intérprete do vilão.
Cameron Monaghan ainda postou nas redes sociais outras imagens do seu personagem na quinta temporada.
Nas fotos, Jeremiah Valeska dança com Ecco, numa cena que lembra muito as de Coringa e Arlequina nos quadrinhos.
Na série, Ecoo serve como “protótipo” da Arlequina no programa, já que os produtores supostamente não estão autorizados a usar o nome da personagem - a sua intérprete, Francesca Root-Dodson, também postou em seu Instagram as fotos abaixo.
Veja:
E foi Jeremiah o destaque do vídeo que a Fox lançou para celebrar o Dia das Bruxas.
Embora o personagem não possa ser chamado de 'Coringa' no seriado por conta de a DC guardar esse nome para o cinema, Jeremiah é tido como a principal encarnação do Palhaço do Crime neste universo, especialmente após sua transformação na última temporada da série.
No vídeo, Jeremiah é chamado de 'Sr. J', um dos apelidos dados pela Arlequina ao Coringa.
Tudo indica que ele será chamado por este nome com frequência na nova temporada.
Confira:
Segundo o Deadline, a atriz Jaime Murray (Dexter) será uma personagem recorrente nesse quinto ano.
Murray irá interpretar Theresa Walker, que será a principal antagonista para Jim Gordon nessa temporada.
Ela carrega um segredo nefasto sobre seu passado.
Jaime Murray - Deadline
O último ano de 'Gotham' será baseado na HQ Batman: Ano Zero, que mostra a destruição da cidade e deve ter o subtítulo 'Legend of the Dark Knight' (Lenda do Cavaleiro das Trevas, em tradução livre) - o que só confirma a aparição do Batman na série.
Fazendo uma breve recapitulada, na última temporada tivemos uma grande evasão da população da cidade e Gotham ficou a mercê dos vilões, sobrando apenas nossos queridos mocinhos para tentar reivindicar a posse da cidade.
Aparentemente essa temporada irá ter um pequeno salto temporal e também servirá para estabelecer a geopolítica criminosa que já conhecemos da cidade nos quadrinhos.
Essa temporada irá nos apresentar o vilão Bane, grande inimigo do Batman e que é conhecido por ser o único que quebrou o Morcego, podendo a se equiparar em força física, habilidade e inteligência ao herói.
Só que os rumores indicam que o personagem que Bane quebrará ao meio na série será Alfred (Sean Pertwee).
Teremos o jovem Bruce mais próximo de começar sua jornada como o vigilante Batman - o Morcego, inclusive, aparecerá em todo o seu esplendor, provavelmente no último episódio.
Por falarmos em duração da temporada: de acordo com o Deadline, a season 5 terá 2 episódios adicionais, que passa de 10 capítulos para 12.
Por fim, a Fox agendou a estreia: a quinta temporada 'Gotham' começa a ser exibida em 3 de janeiro de 2019, nos EUA - o pôster acima informa isso.
Por aqui, deve chegar logo depois, via Warner Channel.
Freddie Mercury (Rami Malek) e seus companheiros Brian May (Gwilyn Lee), Roger Taylor (Ben Hardy) e John Deacon (Joseph Mazzello) mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen, durante a década de 1970.
Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.
CRÍTICA:
É só pensarmos em Freddie Mercury, que sua voz excepcional e poderosa nos vem à cabeça, em inúmeros hits que ele emplacou com a banda Queen.
Das primeiras notas de 'Love of my Life' até o poderoso refrão de 'Who Wants to Live Forever', há muito significado nas letras que o excepcional performer nos ofereceu durante seus 20 anos de banda.
Depois de muito anunciado e nunca acabado, finalmente agora o cinema nos dá a oportunidade de nos aproximar da figura arrebatadora e inesquecível que foi Mercury, seja através de suas músicas ou pela trajetória que levou uma das maiores bandas do mundo a conhecer o estrelato - e algumas adversidades.
O projeto de 'Bohemian Rhapsody', que estreia nesta quinta aqui no Brasil, começou problemático, com Sasha Byron Cohen escalado para viver Freddie e com Bryan Singer como diretor.
Acabou com Rami Malek (Mr. Robot) como o protagonista e Dexter Fletcher como diretor - já que Singer foi demitido.
Rami Malek personifica Freddie Mercury com extrema perfeição - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Fox Film
Mesmo assim, esses percalços não parecem ter prejudicado o resultado final do longa, que tem como consultores criativos Brian May e Roger Taylor, integrantes do Queen.
A presença dos artistas na produção já deixa clara a intenção de homenagear Mercury por todas suas realizações no mundo da música, ao mesmo tempo em que busca mostrar o que aconteceu por trás dos palcos e entre os hiatos de gravações.
Em meio às inúmeras músicas destacadas para traçar uma linha temporal clara, o longa nos entrega uma das grandes atuações de 2018, daquelas que torna possível o esquecimento de quem está por baixo dos trejeitos.
Entre o bigode, o óculos e a presença irreverente, Malek surge em perfeita sintonia com Freddie.
Sua homossexualidade, seus relacionamentos e problemas relacionados à solidão são alguns pontos abordados pelo roteiro, mas parecem apenas passar sucintamente por estas questões que tanto o marcaram.
O grande foco aqui é mostrar Freddie nas horas em que não solta a voz, no modo como se porta perante o crescimento do Queen - e o destaque nos é mostrado em sua longa relação com Mary (Lucy Boynton).
Freddie com Mary (Lucy Boynton)
Estas aproximações funcionam para compor a biografia de um modo mais aberto, mas impossibilitam um maior aprofundamento íntimo do protagonista.
O que o filme faz bem é aproveitar seu lado musical.
Além de bem dirigidas, as cenas que exibem o making of de canções como a do título e 'We Will Rock You' são fascinantes, dando a sensação de que presenciamos, décadas depois, o surgimento de pérolas do rock.
O Queen em cena do longa
Fora a divertida integração do grupo para compor as inovações contidas nos quase seis minutos de 'Bohemian Rhapsody', Rami Malek entrega uma carga verdadeira e sobretudo catártica nos momentos em que vemos suas composições vocais ou no piano nascerem.
Ver aquele olhar distante e ao mesmo tempo surpreso consigo mesmo é de uma sensibilidade enorme, deixando ainda mais clara sua aproximação para com a figura de Freddie.
Ao dublar as músicas (por razões óbvias), fica evidente que o ator transferiu todo o empenho vocal para o trabalho físico, tornando magnética sua presença em cada quadro.
Com ótimos figurinos, uma fotografia que capta bem a essência dos anos 70/80 e elenco em harmonia, o longa nos mostra que Freddie Mercury não era conhecido por ser uma pessoa comum, mesmo que o filme tenha uma estrutura que segue padrões de biografias - especialmente as musicais.
A linha do tempo tem alguns deslizes mas equilibra bem o drama com os momentos de glória.
Porém, com os anos passando voando e o auge sendo reconhecido em montagens aceleradas, fica a sensação de que faltou vermos mais da dinâmica do Queen como conjunto e não só nos momentos de composição.
Isso se repete na vida de Freddie, que exibe as dificuldades enfrentadas até seu diagnóstico de AIDS, mas ainda possui concepção mais ilusória, tornando tudo um pouco mais leve do que deveria ser (e do que deve ter sido).
Como biografia de um artista e performer completo e irreverente, o filme acerta no tom, mesmo não aprofundando todo seu conteúdo.
Cena do longa
Como uma carta de amor dos integrantes do Queen ao vocalista (e aos fãs), o longa é uma revisita a tempos bons e ruins de uma vida que marcou tantas outras, e cuja importância pode ser resumida nos arrepios que aparecem a cada nota alcançada e a cada riff de guitarra que a acompanha.
Freddie Mercury vive, agora em um grande espetáculo cinematográfico.
E Rami Malek se torna finalmente um astro de primeira grandeza de Hollywood - e sério candidato ao Oscar 2019.
Filmaço.
TRAILER:
FICHA TÉCNICA:
BOHEMIAN RHAPSODY
Título Original:
BOHEMIAN RHAPSODY
Gênero:
Biografia
Direção:
Bryan Singer, Dexter Fletcher
Elenco:
Aaron McCusker, Ace Bhatti, Aidan Gillen, Alicia Mencía Castaño, Allen Leech, Ben Hardy, Charlotte Sharland, Dickie Beau, Gwilym Lee, Ian Jareth Williamson, Israel Ruiz, Jess Radomska, Jessie Vinning, Johanna Thea, Joseph Mazzello, Lora Moss, Lucy Boynton, Matthew Fredricks, Matthew Houston, Max Bennett, Michael Cobb, Michelle Duncan, Mike Myers, Rami Malek, Tom Hollander
Roteiro:
Anthony McCarten, Peter Morgan
Produção:
Brian May, Bryan Singer, Graham King, Jim Beach, Peter Oberth, Richard Hewitt, Robert De Niro, Roger Taylor
Fotografia:
Newton Thomas Sigel
Montador:
John Ottman
Trilha Sonora:
John Ottman
Estúdio:
GK Films, New Regency Pictures, Queen Films Ltd., Regency Enterprises, Tribeca Productions
Um vigilante mascarado surge para atacar a impunidade que permite que políticos e donos de empreiteiras enriqueçam às custas da miséria e do trabalho da população brasileira.
A história do homem por trás do disfarce de "Doutrinador" envolve uma jornada pessoal de vingança na qual um agente traumatizado decide fazer justiça com as próprias mãos.
CRÍTICA:
Nenhum outro lançamento nacional de 2018 foi tão ansiosamente aguardado como 'O Doutrinador', que finalmente estreia nesta quinta, 01.
Afinal, é a primeira grande produção nacional de super-herói baseada em uma HQ produzida no Brasil, acompanhando uma tendência hollywoodiana que, ano após ano, faz a alegria dos espectadores de cinema.
E o melhor: a proposta do filme reflete os sentimentos sociais de uma nação que atualmente vai da desconfiança ao puro nojo por seus líderes políticos.
Kiko Pissolato é o protagonista Miguel Montessant - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Paris Filmes
Baseado na série de quadrinhos homônima, de Luciano Cunha, temos aqui um filme de ação competente, uma obra tecnicamente bem realizada e bem acabada, com uma rara sofisticação técnica no cenário brasileiro.
Ao mesmo tempo, o roteiro simples até se esforça para ser menos maniqueísta, oferecendo explicações para as atitudes do protagonista, mas oferece pouca reflexão.
Apesar de ambos os filmes partirem de um pessimismo para com as instituições públicas e dialogarem com o cinema policial norte-americano, esqueça a comparação com 'Tropa de Elite', já que a adaptação dirigida por Gustavo Bonafé (codiretor do bom 'Legalize Já - Amizade Nunca Morre') tem a política como tema.
Na prática, é raso o comentário que o filme traz sobre a imoralidade com a coisa pública.
A obra é sintomática ao simbolizar um retrato da insatisfação do brasileiro médio, mas não parece interessada em articular um discurso que seja mais do que um mero espelho de indignações.
No filme, Kiko Pissolato interpreta o policial Miguel Montessant, que integra uma divisão altamente treinada da polícia empenhada em enquadrar políticos corruptos, uma espécie de Operação Lava Jato conduzida por agentes da SWAT.
Quando a investigação consegue chegar ao inescrupuloso governador Sandro Corrêa (Eduardo Moscovis), o político se esquiva da prisão com ardileza e ainda anuncia sua candidatura à Presidência da República.
Mesmo inconformado, o protagonista segue sua vida.
Pai divorciado, Miguel decide levar sua filha pequena para assistir um jogo da seleção brasileira (ecoando a atmosfera de euforia que precede a crise do Brasil dos anos dos grandes eventos) até que a menina é atingida por uma bala perdida em uma cena que pesa mais a mão no melodrama do que deveria.
Ao se deparar com a fatal precariedade de um hospital público, que sofreu com o desvio de verbas de Corrêa, Miguel se radicaliza e encontra refúgio na violência - é o episódio que transforma Miguel no Doutrinador.
Miguel em sua identidade secreta do Doutrinador
Assim quando a violência entra em cena, Bonafé acerta ao retratar a cena da maneira chocante, mostrando que fazer justiça com as próprias mãos é, literal e figuradamente, sujá-las.
Para proteger sua identidade, Miguel usa uma máscara de gás que alude aos manifestantes na linha de frente dos protestos de junho de 2013.
É normal que personagens de HQs tenham seus traços de personalidades hiperbolizados, mas o retrato cartunesco e sem muitas nuances dos vilões pouco contribui para o filme.
Como bem ensinaram as melhores produções de heróis, os antagonistas importam e muito. A
construção de muitos diálogos sustentados em chavões também não ajuda.
Ao menos Miguel é eficiente em matar.
Mas o melhor que o filme entrega são suas cenas de ação: bem dirigidas, dão à trama um bem vindo e necessário dinamismo.
Mesmo o espectador que não é chegado em quadrinhos vai notar que Bonafé constrói muitos planos com o esmero de quem se preocupa com a estética da imagem, com a posição de cada elemento no quadro.
O cineasta usa movimentos de câmera bem executados, demonstra cuidado com questões de design de produção e figurino e filma cenas de ação que vão convencer um eventual espectador com ressalvas em relação ao cinema nacional de que é possível fazer no Brasil um filme do gênero nos padrões de Hollywood.
Totalmente filmado em São Paulo, mas ambientado na fictícia Santa Cruz, os esforços de pós-produção transformam a cidade em uma metrópole com ares proto-distópicos numa alusão ao estilo consagrado por 'Blade Runner'.
Com anúncios de néon invasivos, imponentes arranha-céus e uma atmosfera de decadência pautada em tons de azul e roxo, o filme tem sua cidade como uma das personagens do filme, sua própria Gotham entre os trópicos.
São Paulo aparece espetacularmente fotografada por Rodrigo Carvalho
O que dizer da cena do nosso Theatro Municipal transformado em palácio do governo? Sensacional.
Neste sentido, a fotografia de Rodrigo Carvalho também é espetacular.
O protagonista também de destaca: Pissolato tem o físico que seu personagem demanda e se sai muito bem nas cenas de luta e demais cenas de ação.
Mesmo quando usa a máscara, o ator é capaz de manter uma postura imponente típica de protagonista de adaptação de HQ.
Já no lado dramático, o ator não acrescenta muito ao arquétipo do homem bruto traumatizado sem muitas expressões e, mais uma vez, as frases de efeito do roteiro ("o que você chama de assassinato eu chamo de justiça") não ajudam.
Tainá Medina ('A Casa de Cecília') interpreta Nina, uma jovem hacker que colabora com o Doutrinador após ser detida e reconhecer Miguel na delegacia.
O ótimo registro de Medina tem mais densidade dramática e varia entre um cinismo cool e uma certa vulnerabilidade que humaniza a personagem e aproxima o espectador dos riscos de todas aquelas situações vividas por Miguel e ela.
Tainá Medina em cena como Nina
O policial Edu, vivido por Samuel de Assis, oferece um contraponto moral para Miguel.
Entre os demais nomes do elenco, os destaques de atuação ficam para Moscovis (vivendo mais um personagem sórdido depois de 'Berenice Procura') e Natália Lage (que interpreta a ex-esposa de Miguel).
Du Moscovis é o político Sandro Corrêa
Ao contrário do que acontece nas HQs originais, o longa evita usar o nome de políticos reais (embora evoque figuras como Sérgio Cabral e Aécio Neves) para que ao menos algum afastamento em relação à realidade seja possível.
Contudo, não existe texto sem contexto.
O fato do anti-herói do filme agir sem motivações político-ideológicas é quase um desafio à suspensão de descrença do espectador ciente de que vive em um país cada vez mais polarizado.
Especialmente quando o filme chega ao circuito comercial de sala após o término da campanha eleitoral mais violenta da Nova República.
Sendo assim, o esforço por apresentar uma presumida "ideologia neutra" não configura, por si só, um posicionamento ideológico?
O discurso final de Nina dá a entender que ao menos Miguel está fazendo alguma coisa contra tudo isso que está aí.
Fora das telas, uma figura como o anti-herói vivido por Pissolato, que mata primeiro e investiga depois, não seria exatamente alguém a quem exaltar.
Por fim, o filme tem um grande potencial enquanto entretenimento e mostra um alto grau de competência enquanto exercício de cinema de gênero.
Após a exibição no cinema, o projeto vira uma minissérie, que será exibida pelo canal Space.
Vale a ida ao cinema.
TRAILER:
FICHA TÉCNICA:
'O DOUTRINADOR'
Título Original:
O DOUTRINADOR
Gênero:
Ação
Direção:
Gustavo Bonafé
Elenco:
Carlos Betão, Eduardo Chagas, Eduardo Moscovis, Eucir de Souza, Gustavo Vaz, Helena Luz, Helena Ranaldi, Kiko Pissolato, Lucy Ramos, Marília Gabriela, Natália Lage, Natallia Rodrigues, Nicolas Trevijano, Ricardo Dantas, Samuel de Assis, Tainá Medina, Talita Tilieri, Tuca Andrada