terça-feira, 8 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: JAMES BOND SE TRAVESTE, PARA FALAR DE IGUALDADE DE OPORTUNIDADES E VIOLÊNCIA CONTRA O SEXO FEMININO

O ator britânico Daniel Craig - o atual intérprete do agente 007 nas telonas - apareceu hoje nas mídias de todo o mundo vestido de mulher, em vídeo de campanha pelo
Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje.

Fotos: Arquivos do Klau

O ator britânico Daniel Craig

Narrado por Dame Judi Dench - que interpreta o chefe de James Bond, "M", nos filmes do agente secreto britânico - o vídeo tem pouco mais de dois minutos, e discute a disparidade de remuneração, de oportunidades entre homens e mulheres, e violência contra a mulher - é parte do projeto "We Are Equals", uma ONG liderada pela cantora Annie Lennox.

A atriz britânica Dame Judi Dench

No começo, ele aparece como Bond - de terno e gravata; depois, Craig aparece de meia calça, vestido estampado, brincos, colar e peruca loira, tendo durante todo o vídeo a poderosa voz de Dame Dench ao fundo.

Para mim, foi a melhor homenagem às mulheres que vi hoje, disparado.

Confira:


Saiba mais sobre essa campanha, no site www.weareequals.org .

segunda-feira, 7 de março de 2011

RIO VOLTA A SER A "CIDADE MARAVILHOSA", E REVERENCIA UM DOS SEUS MAIS ILUSTRES CARNAVALESCOS: CLÓVIS BORNAY

Para mim, é uma alegria ver que a cidade do Rio de Janeiro - ao menos nessa época de carnaval - voltou a ser a "Cidade Maravilhosa", a cidade brasileira mais conhecida do mundo, a cara do Brasil.

A cidade está alegre, coalhada de blocos e fantasiados por toda a parte, e os bailes luxuosos estão de volta com todo o glamour merecido.

E é realmente uma pena que uma das figuras mais conhecidas do carnaval carioca não está mais aqui para ver tudo isso.

Nascido em Nova Friburgo em 1916, aos 21 anos Clóvis Bornay estreou no Municipal com a fantasia “Príncipe Hindu”, vencendo o concurso de fantasias no Teatro Municipal carioca, idealizado por ele mesmo naquele ano - 1937.

Fotos: DivulgaçãoBornay em 1937, como "Príncipe Hindu"

Museólogo por profissão, mas carnavalesco de corpo e alma, por mais de 60 anos Bornay participou deste desfile, até ser considerado “hors concours” pela organização do evento, e se aposentar, aos 84 anos.

Aqui, Bornay encarna um fauno

Nos anos 60 e 70, Clóvis Bornay também se dedicou ao Carnaval de rua, e exerceu o cargo de carnavalesco no Salgueiro, na Mocidade Independente de Padre Miguel e na Portela, onde foi campeão em 1970 com o enredo “Lendas e Mistérios da Amazônia”.

O luxo, a pesquisa histórica e o requinte eram marcas das criações de Bornay

Criança, adorava ver os desfiles de fantasias, e acompanhava tudo com meus olhos de menino, deslumbrado e boquiaberto com cada nova e exuberante criação, não só de Bornay, mas também do seu "eterno rival" Evandro de Castro Lima, que também já nos deixou - rivalidade de mentirinha, os dois eram amigos e muitas vezes colaboravam, um com a fantasia do outro.

Cada fantasia de Bornay chegava a pesar 60 quilos

O genial cineasta Gláuber Rocha percebeu o potencial da figura de Clóvis Bornay e o escalou para um de seus principais filmes, "Terra em Transe" (1967), onde contracenou com o ator Paulo Autran - Bornay também atuou em "Independência ou Morte" (1972).

Bornay era museólogo-chefe do Museu Histórico Nacional.
Culto, elegante, simpatissíssimo e sempre com um sorriso nos lábios, era reverenciado no bairro de Copacabana, onde sempre morou.

A fama também o levou a ser jurado de televisão, nos programas de Chacrinha, Flávio Cavalcanti e Silvio Santos.

Bornay foi o responsável por criar um comércio específico de carnaval, com pedrarias, penas, plumas e outros adereços, hoje comuns em qualquer escola de samba

Em 1996, a Assembléia Legislativa do Rio concedeu-lhe a medalha Tiradentes, dada a personalidades de relevância cultural para a cidade.

Agora, após alguns anos sem o evento, os amantes do carnaval de luxo poderão dar ainda mais brilho às suas fantasias, e desfilar pelo Armazém 4 do Píer Mauá durante os Bailes Devassa.

Com a apresentação de Rogéria e Miéle, a competição marca a volta do requinte e elegância do carnaval, assim como propõem os Bailes.

Felizmente, o Brasil parece que começa ser um país com memória, e, desde o último dia 19.2, está em cartaz no Centro Municipal de Referência da Música Carioca a exposição “Abram Alas Para Clóvis Bornay”, em homenagem ao carnavalesco - Bornay morreu em 9 de outubro de 2005, aos 89 anos.

Essa fantasia do rei Sol Luiz 14, tinha mais de 6.500 penas e plumas de tamanhos variados

A mostra vai até 17 de abril, expõe 10 fantasias pertencentes ao acervo do Museu da Cidade, e vai apresentar um pouco da história do criador do tradicional Baile de Gala do Theatro Municipal, que dedicou 77 anos de sua vida à maior festa popular da terra.

“As fantasias dele eram obras-primas e estavam todas fechadas em uma caixa. Achei que aquele material tinha que ser recuperado e exibidos para a sociedade”, disse Neko Pedrosa, curador da exposição.

Quem for no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, poderá apreciar fantasias como Príncipe Alican, Pavão Misterioso, Dalai Lama, Cometa Halley, Drácula, Azul e Preto e Sol da Meia Noite.
“Sempre fiquei muito impressionado com a qualidade e criatividade das roupas. é mais impactante, ainda, ver as roupas de perto”, afirmou Pedrosa.

A exposição traz ainda fotos, medalhas, rascunhos de desenhos e um minidocumentário contendo depoimentos das filhas adotivas de Clóvis, e alguns áudios das marchinhas que ele cantou nos anos 60 e 70.

Desenho de uma fantasia de "Duquesa", feito por Bornay e que está na exposição

Para carnavalescos ou não, e para os amantes do Rio alegre como eu, é uma exposição simplesmente imperdível.

“ABRAM ALAS PARA CLÓVIS BORNAY”
Período:
De 19/2 a 17/4.
Dias e Horários: De terça a sábado, das 10h às 17h
Onde: Centro Municipal de Referência da Música Carioca
Endereço: Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca. Tel.: 0/xx/21/ 3238-3831)
Quanto: entrada gratuita

domingo, 6 de março de 2011

BONS FILMES QUE (QUASE) NINGUÉM VIU NOS ANOS 2000

Os anos 2000 já viraram história, e já parecem uma vida inteira para alguns cinéfilos.

Em Hollywood, o que vale é apenas o filme mais recente, e os multiplexes seguem a cartilha direitinho : os sucessos de hoje apagam da memória os sucessos de ontem de forma implacável, e o próximo arrasa quarteirão sempre estará logo à frente.

O mundo do cinema nos anos 2000 certamente foi grande: a década começou com os duplos da série Harry Potter - ainda em andamento - continuou com "O Senhor dos Anéis" (2001-2003), e terminou com os números gigantescos de "Avatar" (2009).

Foi uma década de super-heróis, com "X-Men" (2000), "Homem-Aranha" (2002) e "Batman Begins" (2005) faturando alto e produzindo sequências que faturaram ainda mais.

Os anos 2000 também produziram sua cota de futuros clássicos, liderados pelos vencedores do Oscar de Melhor Filme "Gladiador" (2000), "Uma Mente Brilhante"
(2001), "Chicago" (2002), "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (2003), "Menina de Ouro" (2004), "Crash - No Limite" (2005), "Os Infiltrados" (2006), "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007), "Quem Quer Ser um Milionário?" (2008) e "Guerra ao Terror"
(2009).

Alguns podem reclamar de um ou dois desses vencedores, mas a maioria deles ainda será assistida daqui uma geração, assim como "Homem-Aranha", "Batman - O Cavaleiro das Trevas" e a saga Harry Potter.

Mas nem todo futuro clássico faturará centenas de milhões de dólares ou colecionará prêmios de prestígio: não podemos esquecer que filmes imortais como "Cidadão Kane"
(1941) - de Orson Wells, e "A Felicidade não se Compra" (1946) - de Frank Capra -, foram fracassos de bilheteria, que saíram de mãos vazias da noite do Oscar.

Tendo isso em mente, resolvi escrever aqui sobre uma década de filmes ignorados, a maioria deles menores e menos proeminentes do que os filmes mencionados acima, mas que provavelmente crescerão em estatura com o passar dos anos - eles estão disponíveis em DVD ou Blue Ray, e valem a pena ser vistos, caso você não os tenha assistido.

O incomum e sutilmente arrepiante "Lembranças de um Verão" (2001) foi o filme que
M. Night Shyamalan vem tentando fazer nos últimos cinco ou 10 anos, e ainda não fez.

Confira o trailer de "Lembranças de um Verão":


"Alguém para Eva" (2003) ofereceu uma atualização esperta de "A Megera Domada", com Gabrielle Union saindo fora de sua personalidade habitual, para interpretar a megera titular.

Confira o trailer de "Alguém para Eva":


O documentário "Shut Up and Sing" (2006) transformou a guerra de palavras das Dixie Chicks com a direita republicana em um thriller e/ou uma comédia surreal.

Confira o trailer de "Shut Up and Sing" :


"Invencível" (2006) conta com uma interpretação acima da média de Mark Wahlberg, na história real do torcedor do Philadelphia Eagles nos anos 70 que tardiamente se tornou um jogador famoso.

Confira o trailer de "Invencível":


"Jornada pela Liberdade" (2007) conta com todos os bons elementos de um ótimo drama de época – além do valor adicional de ser uma história real de uma ainda importante história da abolição da escravatura.

Confira o trailer de "Jornada pela Liberdade":


"Ponto de Vista" (2008) foi um dos melhores thrillers em anos, contado por múltiplos pontos de vista que se unem no bom final explosivo, graças à direção firme e um elenco sensacional que inclui William Hurt, Dennis Quaid, Sigourney Weaver e Forest Whitaker.

Confira o trailer de "Ponto de Vista":


Vale a pena ver todos eles!

sábado, 5 de março de 2011

CARMEN MAURA, E A RELAÇÃO CONTROVERSA COM ALMODÓVAR

A atriz espanhola Carmen Maura é uma mulher livre.

É livre para gargalhar alto num restaurante de luxo, para dar de ombros aos relógios alheios que controlam seu tempo e para atravessar o tapete vermelho da Berlinale com o esmalte das unhas lascado.

Carmen Maura é livre, até, para brigar com Pedro Almodóvar.

"Quero me divertir, viver bem, não conseguiria ser uma estrela intocável", disse a atriz espanhola, um dia após ter apresentado, no último festival de Berlim, a inofensiva e simpática comédia francesa "As Mulheres do 6º Andar".

Para desespero dos assessores, Maura desandou a falar.

Não parecia haver gesto capaz de contê-la.
"Quando começa a promoção de um filme e me dizem 'Você tem que ir a Berlim', é um sacrifício. Penso na mala, no que tenho que trazer, mas na hora de conversar, me divirto."

Como boa comediante, a ex-musa de Almodóvar sabe fazer o interlocutor rir.

As expressões, os gestos, as palavras em espanhol que mete no meio das frases em francês - "Chica!" -, tudo nela acaba por divertir.

"Ah, adoro fazer pobres porque é mais confortável", diz, sobre o filme exibido em Berlim, em que vive uma empregada doméstica.
"Já fiz muitas empregadas. Elas não usam salto, maquiagem..."

Mas a verdade é que Maura, desde que estreou no cinema, em 1971, foi rica, pobre, boa, megera, neurótica e até fantasma.
"Me transformo em qualquer coisa."

Só não lhe venham com psicologismos.
"Se vou viver uma louca, não vou ficar um mês num hospício. Em casa, vou ler o roteiro e entender."

Essa lição ela aprendeu com Almodóvar, o diretor mais marcante, o amigo com quem rompeu.

John Macdougall/AFPA atriz espanhola Carmen Maura fala a jornalistas na última Berlinale

Maura e Almodóvar se conheceram no final da década de 1970 - estavam fazendo a mesma peça de teatro em Madri.

No primeiro filme com ele, "Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão" (1980), a atriz passou figurino e ajudou a conseguir dinheiro para a produção.
"Não tínhamos nada, mas era muito divertido", conta.

"O Pedro mudou muito", diria, mais adiante.

Antes de ele mudar, vieram ainda os longas "Maus Hábitos" (1983), "Que Fiz Eu para Merecer Isto?" (1984), "Matador" (1986), "A Lei do Desejo" (1987) e "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988).

Foi na entrega do Oscar, no ano em que "Mulheres" foi indicado, que o rompimento dos dois veio a público.

Passou, então, a ser tratado com tintas de melodrama.

O auge da cena pública se deu na entrega de um prêmio Goya, em 1990, quando Maura era apresentadora e Almodóvar foi convidado para homenageá-la.
Ela recebeu um pedaço do muro de Berlim, e os fotógrafos deliraram.

"No dia seguinte, estávamos na primeira página dos jornais", afirma.
"E era um momento em que todo mundo dava pedaços do muro. Eu tinha vários em casa!".

Duas décadas depois de "Mulheres", o diretor convidou-a para fazer a matriarca fantasma de "Volver" (2006).
Ela topou e o resultado foi brilhante.
"Nossa relação profissional não mudou."

"O que me chamou a atenção é que ele virou um rei. Quando ele chegava ao set, todo mundo falava baixo, com medo", diz, imitando cochichos.
"Não sei se a pessoa que conheci ainda está lá. Ele ficou muito mais sério."

Hoje, eles não se falam.

Mas se acabou a relação com Almodóvar, continua intensa sua história com incontáveis diretores espanhóis, argentinos, franceses e até com Francis Ford Coppola - em 2010, a atriz rodou quatro filmes.

Mas Maura não é da estirpe dos sofredores.
"Cinema é muito fácil", diz.
"É como se você fosse criança brincando. Eles te dão uma casa, um marido, os filhos. E depois tem o milagre da câmera, que faz metade do trabalho."

Segunda ela, o segredo do cinema é o respeito pela câmera.
"Ela pode estar com você ou contra você."

E segredo de viver com tamanha liberdade?
"Nunca quis chegar a um lugar específico, receber tal prêmio. É muito mais difícil viver o sucesso que as dificuldades. Nas dificuldades, todos te confortam. No sucesso..."

Essa frase, a faladora Maura conclui com o silêncio.

*****
Matéria da repórter Ana Paula Sousa - Folha de S.Paulo

SIR ANTHONY HOPKINS: "NÃO QUERO CONQUISTAR MAIS NADA

Sir Anthony Hopkins já fez um canibal, um lobisomem e será um deus nas telonas - hoje, está nas telas brasileiras como um padre exorcista em "O Ritual".

Em entrevista, o ator galês, 73, falou que já não procura conquistar mais nada na vida, e apenas segue sugestões de seu agente para escolher novos trabalhos - em maio, volta às telonas com "Thor", onde interpreta o pai do herói, o deus Odin.

Getty ImagensO ator Sir Anthony Hopkins

O aclamado ator diz ainda que nunca mais voltará a fazer teatro, porquê "acho chato demais".

Leia a entrevista:

Pergunta: O senhor é católico?

Anthony Hopkins - Não.

É religioso?

Não sou ateu, seja lá o que isso quer dizer.
Às vezes sou, às vezes não.
Sou aberto.

Por que escolheu esse papel?

Quando li o roteiro, não estava muito certo, porque achei que seria um filme sobre coisas sobrenaturais.
Mas meu agente disse para eu ler.
É um dos filmes mais fascinantes que fiz em anos.

Por quê?

É um bom roteiro.
O personagem que eu faço tem um grande conflito interior.
Mas, apesar das dificuldades, ele mantém a fé a todo custo.
Um jovem padre vem trabalhar com ele em Roma e tem suas próprias dúvidas.
Há uma batalha entre os dois.
É provocativo, complexo.
Abriu meus olhos para ler mais sobre a história da Igreja Católica e a crise atual. Foi uma experiência profunda.

Como se preparou para fazer o personagem?

Aprendi latim e estudei italiano.

Visitou a escola de exorcismo do Vaticano?

Colin [O'Donoghue] foi.
Ele conheceu alguns exorcistas.
Havia um exorcista no set, enquanto filmávamos.

Como escolhe seus papéis?

Não planejo nem procuro mais nada.
Meu agente me liga e nós conversamos.
Não quero mais nada, não preciso conquistar coisa nenhuma.
Já fiz tudo na vida.

Como foi trabalhar com Alice Braga?

Ela é adorável.
Fizemos uma cena grande juntos.
Fiquei preocupado com ela porque é muito intensa.
E a cena precisava de energia.
Eu tinha meio que agarrá-la, e ela foi ficando vermelha, roxa.
Eu disse: "Você não deve fazer isso demais, pode se machucar".
Se você está atuando muito e passando por muita tensão, pode sofrer fisicamente. Então, eu sempre acreditei em fazer [uma cena] e depois relaxar.
Mas, às vezes, os diretores insistem, pegam pesado, e isso não funciona.

O sr. se lembra de algum conselho que ouviu durante a carreira e que ainda carrega?

Apenas divirta-se o quanto conseguir.
Tenha senso de humor.
O mundo está tão politicamente correto, não há mais humor.
É triste.

Já pensou em escrever livros?

Não.
Quem vai querer ler sobre mais um ator?
Tentei uma vez, me pagaram adiantado, mas devolvi o dinheiro.
Não tenho interesse.

Voltaria ao teatro?

Não.
Ralph Fiennes disse que eu precisava voltar, e respondi que preferiria qualquer outra coisa, qualquer emprego terrível.
Felicidade para mim é não ter que ir ao teatro todas as noites interpretar o rei Lear.

Nem para ver peças?

Não.
Chato demais.

*****

Entrevista a Fernanda Ezabella - Folha de S.Paulo

sexta-feira, 4 de março de 2011

JOHN WAYNE: MESMO UM TREMENDO DIREITISTA, ERA UM ATOR ACIMA DA MÉDIA

Com a refilmagem de "Bravura Indômita" pelos irmãos Coen, a grande estrela da recém-lançada lata "Coleção John Wayne" torna-se a primeira versão da história, de 1969, que deu ao velho caubói o prêmio de melhor ator.

TRAILER DO FILME ''BRAVURA INDÔMITA''

O filme é bom, mas o pacote de seis discos traz dois ainda melhores, "O Homem que Matou o Facínora" ("The Man Who Shot Liberty Valance", 1962), uma obra-prima, e "El Dorado" (1966), quase. Todos são da fase madura de Wayne (1907-1979), que apareceu em mais de 150 filmes e fez pelo menos um por ano entre 1926 e 1976.

Wayne sobreviveu como astro e atração de bilheteria cerca de 15 anos a mais do que seus contemporâneos, que já nos anos 60 estavam mortos, aposentados ou decadentes.

Até o fim "Duke", como era chamado pelos amigos e fãs, conseguiu manter o poder de transmitir autoridade, do alto de seus 1,93 metro e mais de 100 quilos, mesmo interpretando um delegado bêbado, briguento e irresponsável como o Rooster Cogburn de "Bravura Indômita". Nem mesmo o fato de ser o mais desbocado dos direitistas de Hollywood, um meio majoritariamente liberal, tirou-lhe a respeitabilidade.


E foi justamente numa época de intenso sentimento antibelicista e espírito de contestação que Wayne recebeu seu Oscar.

Naquele ano concorriam em várias categorias produções anti-estabilishment como "Sem Destino", "Meu Ódio Será Sua Herança", "Perdidos na Noite" (o grande vencedor) e "Z".

Wayne, que falava mal de quase todos esses filmes, foi mesmo assim aplaudido de pé quando subiu ao palco.

O clima era altamente favorável ao ator: o crítico do "New York Times", Vincent Canby, havia escrito que "Bravura Indômita" era "uma clássica fábula do oeste que consegue ser extremamente divertida até quando está sendo mais reacionária".

Apenas um ano antes havia sido lançado "Os Boinas Verdes", segundo e último filme dirigido por Wayne e o único do período inteiramente a favor da participação dos Estados Unidos na guerra do Vietnã.

Daquela vez, a crítica do "New York Times", assinada por Renata Adler, começava dizendo que o filme era "tão inominável, tão estúpido, tão podre e falso em cada detalhe que passa por piada". Mesmo assim, "Os Boinas Verdes" foi um sucesso de bilheteria.

Fotos: Arquivos do Klau

Divulgação

Wayne em "Bravura Indômita" (1969)

Em seus anos de juventude, Wayne encarnava a imagem que os americanos gostavam de ter a de si mesmos, individualista e viril.

Com Wayne, a figura do caubói cinematográfico (que já existia antes dele) passou a ter uma conformação sólida, lacônica, direta, com um andar ressabiado e pálpebras tão pesadas que nem sempre é possível distinguir perfeitamente sua expressão facial (para não falar da sombra do chapéu).

Era sobretudo um homem solitário, impaciente com a vida de família, mais à vontade ao ar livre e no lombo de um cavalo do que na rotina doméstica ou no trabalho sedentário.

Na fase dos filmes que agora estão saindo em DVD e blu-ray, Wayne se aproximou cada vez mais de uma figura paternal, mesmo que esse pai pudesse ser completamente fanfarrão e sequer reconhecesse seus filhos, como em "Jake Grandão" ("Big Jake", 1971), o mais recente, escrachado (no bom e no mau sentido) e violento do conjunto.

O velho pistoleiro passa o filme dando lições de macheza e cinismo aos dois herdeiros, que são socados regularmente (dois atores muito ruins: Patrick Wayne, que era realmente filho de John Wayne, e Christopher Mitchum, filho do ator Robert Mitchum).

MPTV

Wayne em "Jake Grandão" (1971)

No filme mais antigo dos seis, "Caminhos Ásperos" ("Hondo", 1954), Wayne consegue se unir à mulher amada (Geraldine Page), que mora sozinha com um filho pequeno no meio do território apache, conquistando a confiança do garoto e matando, sem saber, o marido malfeitor e fujão.

Este filme tem a curiosidade de ter sido rodado originalmente em 3D e de ser o único da lata que inclui extras, vários extras, até demais para sua reduzida importância - já "O Homem que Matou o Facínora" vem apenas com o trailer.

A idade madura do ator acentua em todos esses filmes o tom de elegia, pelo fim do herói e de uma era, que impressionou tanto em "Bravura Indômita".

Nele, a garota de 14 anos que contrata Cogburn para caçar o assassino de seu pai é uma monótona defensora da lei, da sobriedade e dos valores familiares em contraste com os métodos do velho caubói.

MPTV

Wayne em "Caminhos Ásperos" (1954)

Embora num tom radicalmente oposto, esse é também o antagonismo central de "O Homem que Matou o Facínora".

No filme, o senador, advogado e alfabetizador Ramson Stoddard (James Stewart) e o rancheiro alcoólatra e justiceiro Tom Doniphon (Wayne) são empurrados para a missão de enfrentar um bandido cruel, Liberty Valance (Lee Marvin).

Em sua inteireza e integridade, o faroeste dirigido por John Ford, um dos mais bonitos de todos os tempos, consegue ao mesmo tempo construir e demolir o mito (ou os mitos) do oeste.

Este é o filme que termina com a famosa frase dita por um jornalista:

"Quando a lenda se torna fato, imprima-se a lenda."

Wayne e Ford fizeram 22 filmes juntos, entre eles marcos históricos como "No Tempo das Diligências" (Stagecoach, 1939) e "Rastros de Ódio" ("The Searchers", 1956).

O astro via o diretor como "um pai ou um irmão mais velho", e um ajudou o outro a formar suas respectivas personalidades artísticas, apesar das muitas diferenças entre eles, inclusive políticas (Ford foi, na maior parte da vida, um "liberal").

O diretor sempre enfatizou a ambiguidade da situação do herói solitário, patriota, imbuído de profundo sentido moral, mas desiludido e resignado diante da hipocrisia

Divulgação

Wayne em "O Homem que Matou o Facínora"

O outro diretor com quem Wayne mais se identificou, Howard Hawks, era de uma estirpe diferente.

Duas das colaborações entre eles estão na presente lata da Paramount: além do citado "El Dorado", "Rio Lobo" (1970), o último filme do diretor.

Se Hawks era menos questionador do que Ford, nem por isso demonstrava menos ânimo na hora de filmar.

Cineasta da ação cotidiana por excelência, Hawks infundia nos personagens de Wayne uma segurança de dar medo.

Nos filmes da dupla, o caubói era um cara que não procurava encrenca, mas nunca recuava diante de uma afronta, nem de um serviço a ser feito.

Consensualmente, considera-se "Onde Começa o Inferno" ("Rio Bravo", 1959) a melhor colaboração Wayne-Hawks.

O filme foi feito como uma resposta a "Matar ou Morrer" ("High Noon", 1952), dirigido por Fred Zinnemann, que havia causado furor entre a crítica como um metáfora do macartismo.

Gary Cooper fazia um xerife relutante à procura de apoio numa cidade acovardada para reagir a uma ameaça externa.

Wayne o considerava "a coisa mais antiamericana" que já tinha visto, e decidiu reagir com um filme em que o herói não foge de sua missão, mesmo que seja para agir sozinho ou com um bando de párias.

"El Dorado" e "Rio Lobo" são praticamente refilmagens de "Onde Começa o Inferno".

O primeiro, em que Wayne se une a um xerife afundado na bebida (Robert Mitchum) e um jovem caubói que não sabe atirar (James Caan), mantém intactos o ritmo, o humor e uma encenação de mestre, chegando perto da qualidade do "original".

"Rio Lobo" é um pouco menos parecido com "Onde Começa o Inferno" e um pouco menos bom, embora traga uma história mais instigante do que os demais ao bagunçar as noções de lealdade e justiça entre correligionários (ianques e sulistas durante a Guerra Civil Americana).

Divulgação

Wayne em "Rio Lobo" (1970)

Todos os filmes lançados ou relançados agora são faroestes, mas John Wayne não se limitou ao gênero.

Fez vários filmes de guerra, melodramas e comédias, como o célebre "Depois do Vendaval" ("The Quiet Man", 1952), dirigido por John Ford e ambientado na Irlanda.

Mas é como caubói que ele some no horizonte no fim de "Bravura Indômita"...

Imprima-se a lenda.

Coleção John Wayne (lata)
Distribuidora
: Warner
Filmes: "Caminhos Ásperos", "O Homem que Matou o Facínora", "El Dorado", "Bravura Indômita", "Rio Lobo", "Jake Grandão"
Gênero: faroeste
Preço: R$89,90

Onde Comprar: Livraria Saraiva, pelo link: http://goo.gl/7w5M9

COTAÇÃO DO KLAU:

"LOPE": MESMO COM CRÍTICAS DOS ESPANHÓIS, ANDRUCHA WADDINGTON FEZ UM BELO FILME

Se fizermos uma comparação rasteira, podemos dizer que o escritor Lope de Vega (1562-1635) é o William Shakespeare da Espanha: escreveu mais de 400 comédias, 42 autos e centenas de poemas.

A juventude de Lope é retratada neste filme que estreia hoje, dirigido com bastante liberdade pelo brasileiro Andrucha Waddington - de "Eu Tu Eles" e "Casa de Areia" -, aqui em seu primeiro trabalho internacional - na Espanha, "Lope" venceu dois Goya, o principal prêmio cinematográfico do país: melhor canção original, para "Que el soneto nos tome por sorpresa", do uruguaio Jorge Drexler, e melhor figurino.

Como define o diretor, o filme foca "o Lope antes do Lope", o jovem poeta antes da transformação em mito.

Andrucha assina um filme de época sem a pasmaceira e escuridão habituais do gênero, e, suprema heresia do ponto de vista dos espanhóis, escalou um ator argentino, Alberto Ammann, para interpretar o protagonista - os espanhóis puristas não pouparam o sotaque do protagonista, e, para quem conhece, um argentino tem sotaque muito diferente de um espanhol.
Com roteiro de Jordi Gasull e Ignacio Del Moral, o filme flui nas tramas, especialmente amorosas - que, nessa fase da vida do personagem, estão totalmente implicadas no seu início profissional.

Lope vem de uma família modesta: filho da viúva Paquita - interpretada pela Diva Sônia Braga, com uma excelente maquiagem de envelhecimento que a deixa irreconhecível - e tem um irmão, Juan - Antonio de La Torre.
Os dois acabam de voltar da guerra, e tentam encontrar trabalho para sobreviver, o que na época era dificílimo.

Lope, por sua vez, só pensa na poesia e no teatro, e faz sucesso com a mulherada por conta de sua destreza com as palavras - e uma delas , Elena Osorio, interpretada por Pilar López de Ayala, também será seduzida pela verve do jovem poeta.

DivulgaçãoPilar López de Ayala e Alberto Ammann, em cena de "Lope"

Casada, com marido vivendo distante, e pai sendo um poderoso empresário teatral em Madri - Velasquez, interpretado por Juan Diego - a paixão de Elena se torna muito conveniente para Lope, que acaba encenando suas peças no teatro de Velasquez, mesmo sem muitas compensações financeiras - o esperto empresário explora seu sucesso em proveito próprio.

O coração do dramaturgo bate também por Isabel de Urbina - Leonor Watling, de "Fale com Ela"-, uma jovem de família rica e bem mais pudica e religiosa do que Elena, e, por conta desse enrosco amoroso, Lope logo se verá em apuros, inclusive nos tribunais.

Selton Mello interpreta aqui um nobre português, o marquês de Navas - que costuma encomendar versos a Lope para fazer bonito nas festas e conquistar namoradas.

O filme também foi criticado pelas assumidas liberdades em relação à fidelidade histórica, e em pelo naturalismo nos cenários e figurinos.

É uma Madri suja que vemos na telona, com personagens usando roupas gastas e puídas -o diretor, baseado em pesquisas, garante que eram assim mesmo na época que o filme retrata, o século 16 - Andrucha completou sua ambientação com referências da obra de diversos pintores da época, como Velázquez.

Alberto Ammann é um ator magnético, que passa verdade em cada cena em que aparece - o bom roteiro também o ajuda, e muito.

E a Diva Sônia Braga está simplesmente magnífica, como fazia tempo que eu não a via tão entregue assim a uma personagem.

A direção de arte é muito boa, a fotografia é acima da média, e Andrucha fez aqui sua melhor direção até agora, disparado - é um diretor de atores muito bom, e se saiu muito bem nas cenas de ação.

Confira o trailer do filme:
*****

"LOPE"
Título original:
Lope
Diretor: Andrucha Waddington
Distribuição: Warner
Elenco:
Alberto Ammann
Leonor Watling
Sônia Braga
Luis Tosar
Pilar López de Ayala
Antonio de la Torre
Selton Mello
Miguel Ángel Muñoz
Gênero: Baseado em fatos reais, Drama, Romance
Duração: Agradáveis 106 min.
Ano: 2010
Data da Estreia: 04/03/2011
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
País: Espanha, Brasil
COTAÇÃO DO KLAU:


ALBERTO AMMAN:
"TRABALHAR COM SÔNIA BRAGA FOI UM SONHO"

Nascido em 1978, na Argentina, e criado na Espanha, Alberto Ammann tinha apenas um longa-metragem no currículo antes de ser convidado a fazer um teste para o papel-título de "Lope": "Celda 211", foi um sucesso em seu país de origem, e valeu ao argentino um prêmio Goya de melhor ator revelação.

As diretoras de elenco que haviam trabalhado com Ammann no primeiro e único filme dele até aquele momento o sugeriram ao diretor Andrucha Waddington.
"Na segunda etapa dos testes, interpretei com Pilar [López de Ayala] e Leonor [Watling], e Andrucha estava presente", disse ele em entrevista ao UOL Cinema, em um hotel da região Oeste de São Paulo, onde ficou hospedado.
"Foi então que eu o conheci e simpatizamos imediatamente. Houve muito boa energia entre nós."

O fato de ser argentino não foi empecilho para a escolha de Ammann para o papel - o sotaque castelhano, aliás, era o menor dos problemas a se resolver nos 25 dias que faltavam para o início das filmagens.
"Tinha que aprender a andar a cavalo bem. Porque eu sabia cavalgar, mas mal. [Tinha que aprender a] usar espadas, fazer leituras de roteiro. Ou seja, era muito trabalho."

Filho do escritor, jornalista e político Luis Alberto Ammann e Nélida Rey, Ammann nasceu em Córdoba e, com poucos meses, mudou-se com os pais para Madri.

Em 1982, com o fim da ditadura, a família voltou para a Argentina, mas o jovem Alberto ainda retornaria para a Espanha, a fim de terminar os estudos.

Ele não pensava em iniciar carreira como ator, até que apareceu o teatro e depois o cinema.

A ideia de interpretar Lope de Vega, a quem conhecia superficialmente dos estudos escolares, o deixou preocupado, mas não o imobilizou.

Com três projetos engatilhados no cinema, um nos EUA, outro entre Brasil e Argentina e outro na Argentina, ele investe na carreira de ator, e celebra ter trabalhado ao lado de uma das atrizes mais celebradas do cinema brasileiro, Sônia Braga.

Leia os principais trechos da entrevista, abaixo:

Getty Images

O ator Alberto Ammann

Como foi a rotina de trabalho antes de fazer o filme?

Todos os dias tínhamos trabalho de leitura de roteiro.
Ou com todos os atores, com a maioria deles, ou com as atrizes - trabalho de mesa. Com Andrucha, fui à casa de Lope de Vega.
Sempre estávamos em contato, falando muito.
O ritmo nesses dias foi muito louco.
Levantava de manhã, ia treinar com Ignácio Carreño, que era o especialista em equitação.
Depois, ia para a esgrima.
Saia de lá, ia comer.
Depois ia para o treinamento de sotaque.
Depois, para a leitura de roteiro com Andrucha.
E no caminho de um lugar para o outro, ia lendo sobre a biografia Lope de Vega.
Não tinha tempo. Dormia quatro horas.
E não foram só os 25 dias de preparação.
Foram também os 45 de rodagem.
Ou seja, 70 dias dormindo quatro horas por dia.
E de estar todos os dias com os livros, o roteiro, a espada e tudo.

O que você conhecia de Lope de Vega?

Conhecia sobretudo suas obras, o que estudei.
Um pouquinho na Universidade, na Argentina, em Córdoba, e no secundário.
Suas três principais obras, seus sonetos, suas poesias.
Da biografia, que foi sacerdote no fim da vida e que sempre esteve ligado à nobreza. Ou seja, que desejou a vida inteira entrar na nobreza, mas nunca haviam deixado.
Por causa do seu currículo de mulherengo, jogador, festeiro.
Até aí.
Na Argentina, é como se fosse uma pincelada.
Na Espanha, o estudam mais a fundo.

Na sua cabeça, como era incorporar este personagem, em um filme espanhol dirigido por um brasileiro?

Antes de Andrucha me oferecer o personagem, esse pensamento estava disparado. Essa pergunta: Onde vamos parar?
Porque não conhecia Andrucha, porque o cinema brasileiro lamentavelmente não chega até a Espanha.
Depois, investiguei, e quando soube quem era, pensei isso.
E quando ele me ofereceu o personagem, me pareceu justo.
Mas esses pensamentos duraram pouco.
Esse café com Andrucha foi muito bom.
Eu perguntei a ele que filme seria esse se trabalhássemos juntos.
E ele me falou que queria colocar Lope perto da gente jovem, que os jovens pudessem se identificar com um rapaz que chega da guerra, não sabe o que fazer, apaixona-se imediatamente pelo teatro, por duas mulheres de uma vez só, que briga por esse sonho e se joga.
Um pouco trazer o Lope dos céus e colocá-lo na terra.
Isso me ajudou a baixar o nível de exigência.
Não estamos contando a história de Lope de Vega.
Esqueçamos dele.
Por isso, o chamaremos de Lope.
Estamos contando a história de um jovem daquela época que aparece e está em uma situação determinada, limite.
E empenha-se em ir adiante, com seus problemas e suas aventuras.

Sônia Braga faz o papel de sua mãe no filme.
Qual a sensação de trabalhar com uma das grandes atrizes do cinema brasileiro, além de um dos nossos símboloso sexuais interpretando uma senhora?

Eu era apaixonado por Sonia Braga quando tinha 8 ou 9 anos.
E meu pai, os dois.
Víamos os filmes dela em Córdoba, na Argentina.
Para mim, foi um sonho trabalhar com ela.
Ela é maravilhosa.
No primeiro dia, quando nos conhecemos foi como se fossemos filho e mãe.
É uma mulher incrível, belíssima.
Além disso, tem essa coisa de atriz, de estar completamente a serviço da história, do personagem, do que estamos contando.
Tem atores que não gostam de muita maquiagem porque pode estragar sua imagem.
E ela não teve essa vaidade.
E eram horas de processo.
Essas coisas que eu vejo e digo isso tem a ver com ser ator, esquecer da imagem própria.

Você tem outros projetos em mente?

Ammann - Sim, adoraria.
A visão vai além de trabalhar em outras línguas.
Quero crescer artisticamente, como ator, e para isso tenho que aprender idiomas, participar de trabalhos que me produzam medo e insegurança.
Isso é alimento rico.

E o que tem de projetos?

Tenho um projeto em inglês.
Uma coprodução brasileira e argentina.
Não posso falar nada porque ainda não há nada concreto.
Li o roteiro.
Mas não sei em que fase está, acho que ainda está tomando forma.
Não tem data de início de rodagem, nem nada.

Com Walter Salles?

(Risos) Não, não.
Adoraria trabalhar com ele, mas não é o caso.
E tem também um projeto na Argentina.
Mas todos estão em desenvolvimento.
Por isso tenho que guardar segredo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A SEMANA NO CINEMA


O diretor de "Besouro Verde" será presidente do júri de curtas em Cannes; estúdio onde são feitos os filmes de 007 terá filial na América Central; vem aí o remake de "O Guarda-Costas" - relembre cena marcante do original; Louis Leterrier prepara projeto secreto para a Universal; Justin Timberlake pode ser um dos "Três Patetas" - relembre os originais; depois do Capitão Nascimento, José Padilha pode atacar de "Robocop"; Playarte vai distribuir filme de Madonna; Disney e Annie Leibovitz aprontam novamente com ídolos; Fox anuncia "Star Wars 3D"; a época de premiações acabou, e Hollywood aposta nas continuações.

Confira o resumo semanal de notícias das telonas, sempre com muita informação, fotos e vídeos muito legais para você:


DIRETOR DE "BESOURO VERDE" VAI PRESIDIR JÚRI DE CURTAS EM CANNES

O cineasta francês Michel Gondry será o presidente do júri de curtas deste ano no Festival de Cannes, confirmaram os organizadores, segundo informações do Hollywood Reporter.

Robyn Beck/AFPO diretor francês Michel Gondry

Entre os filmes mais conhecidos dirigidos por Gondry estão "Rebobine, Por Favor" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças".

Ele também é conhecido por ter dirigido diversos videoclipes, entre eles, para a cantora Björk e as bandas White Stripes e Chemical Brothers.

Seu último projeto, "Besouro Verde", é campeão de bilheteria, aqui e nos EUA.

O cineasta já esteve no festival em 2001, quando apresentou o filme "Natureza Humana", em 2008, com o documentário "Tokyo!", e em 2009 com o outro documentário "The Thorn in the Heart".

O festival acontece entre os dias 11 de 22 de maio.


PINEWOOD TERÁ FILIAL NA REPÚBLICA DOMINICANA

Os estúdios britânicos de cinema e televisão Pinewood Shepperton - criados nos anos 60 para abrigar os gigantescos cenários dos filmes de James Bond - vão abrir uma sede na República Dominicana, para investir no mercado latino-americano.

A empresa anunciou um projeto para a construção de um complexo de 35 acres (140 mil metros quadrados) no país da América Central que incluirá, entre outros espaços, um local dedicado a efeitos especiais aquáticos de 8 acres (32 mil metros quadrados).

Arquivos do Klau O estúdio 007, no complexo de Pinewood nos arredores de Londres

O diretor-executivo da Pinewwod Shapperton, Ivan Dunleavy, declarou à BBC que a construção da nova sede latino-americana começará imediatamente, e que a companhia espera começar a utilizá-la no próximo ano.

Pinewood tentou em 2009 construir um grande centro de produção no Reino Unido, no qual pretendiam reproduzir ruas inteiras de Nova York, Paris e Veneza, um projeto que ficou suspenso após a negativa da Prefeitura de Buckinghamshire, região onde pretendiam levantar o complexo, vetar sua expensão.
Lógicamente, o pequeno país da América Central estendeu o tapete vermelho para os londrinos.


WARNER PREPARA REMAKE DE "O GUARDA-COSTAS"

A Warner Bros. prepara uma nova versão de "O Guarda-Costas" (1992), aquela baba protagonizado por Kevin Costner e Whitney Houston, informa a edição digital da revista "The Hollywood Reporter".

Até o momento, poucos detalhes sobre o "remake" foram revelados, mas vazou a informação de que o personagem interpretado por Costner na versão original, um ex-agente do serviço secreto dos Estados Unidos, agora será um veterano da Guerra do Iraque - o ator que vai interpreta-lo ainda não foi escolhido.

Na década de 90, o filme obteve duas indicações ao Oscar e popularizou a canção "I Will Always Love You", o tema mais famoso da carreira da Diva Whitney Houston, além de emplacar várias outras músicas nas paradas.

Relembre a Diva e Kevin Costner - com seu estranhíssimo corte de cabelo - na cena em que "I Will Always Love You" aparece no filme de 1992:


A baba foi um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 410 milhões em todo o mundo - a história girava em torno da relação amorosa de uma estrela da música pop com seu guarda-costas.

O roteiro do "remake", que será situado nos dias atuais, ficará a cargo de Jeremiah Friedman e Nick Palmer, e Rihanna está sendo cotada para estrelar o remake - no roteiro, a cantora será ameaçada pelo Twitter e outras redes sociais.


LETERRIER DEVE ASSUMIR PROJETO DE "G"

Louis Leterrier - "Fúria De Titãs", "O Incrível Hulk" - acaba de assinar com a Universal Pictures para dirigir o novo projeto de ficção científica do estúdio, "G", de acordo com nota publicada pelo site Coming Soon.

AP

O diretor Louis Leterrier

Há poucos dias, o cineasta tinha se comprometido com o filme "Now You See Me", da Summit Entertainment, mas uma produção não deve atrapalhar a outra: a da Summit já está sendo tocada, e a da Universal será realizada logo em seguida.

A história de "G" - que em alguns sites está sendo chamado de "Gravity" - é um mistério: apenas foi revelado que se trata de uma trama apocalíptica, que tem como base uma ideia do produtor Guymon Casady - de "Os Mercenários".

Pelo título, dá para imaginar que o longa - cuja estreia deverá acontecer em 2012, período propício para se falar em fim do mundo - poderá ter como tema algum tipo de problema com o centro gravitacional da Terra.

Vamos aguardar.


JUSTIN TIMBERLAKE PODE SER UM DOS "TRÊS PATETAS"

Após a desistência de Jim Carrey - "O Golpista do Ano" - e Sean Penn - "Milk - A Voz da Igualdade" - de participarem da adaptação de "Os Três Patetas" - dos irmãos Peter e Bobby Farrelly - outros nomes estão sendo cotados para assumirem a vaga.

Segundo o SlashFilm, Justin Timberlake - "A Rede Social" -, Woody Harrelson - "Onde os Fracos Não Têm Vez"-, Larry David - "Tudo Pode Dar Certo" - e Hank Azaria - "Amor e Outras Drogas" estão no páreo e podem integrar o elenco que já conta com Benicio Del Toro - "O Lobisomem" - como o "pateta" Moe.

Confira os "Três Patetas" originais em ação, no episódio "Heróis Excêntricos" - primeira parte:


Timberlake, Harrelson e David seria para fazer Larry, papel anteriormente dado a Carrey.
Curly ficaria com Hank Azaria, no lugar de Sean Penn.

DivulgaçãoO cantor e ator Justin Timberlake

Outra que está negociando sua participação no longa é A Diva Cher - "Burlesque" -, que pode fazer a madre do orfanato em que Moe, Curly e Larry cresceram.

Confira o trio na segunda parte de "Heróis Excêntricos":


"Os Três Patetas" fizeram imenso sucesso em uma série de TV da Screem Gems/Columbia nos anos 50, e fizeram também alguns filmes para o cinema - um deles co-protagonizado por Adam West.

O projeto tem roteiro de Mike Cerrone - de "Eu, Eu Mesmo e Irene".


JOSÉ PADILHA PODE REFILMAR "ROBOCOP"

O diretor José Padilha estaria em negociação com o estúdio MGM para refilmar "Robocop", segundo o site Deadline New York.

O filme original é de 1987, e tem direção de Paul Verhoeven: a história futurista trata de um policial à beira da morte, que foi usado para a construção de um ciborgue.

Karime Xavier/Folhapress - Divulgação - Arte: Cláudio NóvoaO cineasta José Padilha e Robocop

Segundo o site, a MGM ficou impressionadíssima com o trabalho de Padilha em "Tropa de Elite 1 e 2".

Inicialmente, o projeto da refilmagem de "Rococop" seria tocado por Darren Aronofsky, diretor de "Cisne Negro".

A MGM, no entanto, adiou o projeto por conta de sua crise financeira, e Aronofsky acabou nesse meio tempo indo para a Fox.

Agora, se Padilha for confirmado, o projeto estará em boa mãos.


PLAYARTE VAI DISTRIBUIR FILME DE MADONNA NA AMÉRICA LATINA

A Playarte divulgou que fará a distribuição de "W. E", dirigido e co-roteirizado por Madonna, nos países da América Latina.

Getty ImagesA cantora e diretora Madonna em Nova York (28/4/2010)

É mais uma ótima jogada da distribuidora e exibidora brasileira, já que o filme dirigido pela Diva pop não poderia vir em melhor momento: a produção conta a história do romance entre Wallis Simpson - uma plebéia americana e divorciada duas vezes - e o Rei inglês Eduardo 8º - que abdicou do trono britânico para viver esse amor, passando assim a coroa para seu irmão, o Rei George 6º, interpretado pelo premiado Colin Firth, no campeão do Oscar 2011, "O Discurso do Rei" - aqui, Eduardo 8º foi interpretado pelo ator australiano Guy Pierce.

Na outra trama, o filme de Madonna se passa nos dias atuais, e mostra uma mulher casada, que vive um romance com um agente de segurança russo.

No elenco, além da popstar, estão James D'Arcy, James Fox, Andrea Riseborough, Abbie Cornish e Natalie Dormer.

A Playarte ainda não definiu a data de estreia.


DISNEY E ANNIE LEIBOVITZ: TUDO A VER

Atores de prestígio internacional - como Penélope Cruz e Jeff Bridges - foram fotografados por Annie Leibovitz como personagens de "A Bela e a Fera", para a a continuação de projeto voltado aos parques da Disney.

A gigante do entreterimento apresentou nesta quinta-feira as novas imagens da campanha "Let the Memories Begin" - que Leibovitz fotografa desde 2008, e onde a badalada fotógrafa "clona" cenas clássicas.

As personalidades desse ano são Penélope Cruz, Queen Latifah, Jeff Bridges, Olivia Wilde e Alec Baldwin, entre outros.

A Diva espanhola, que foi mãe há pouco mais de um mês, aparece em uma imagem da cena final do baile em que a Bela dança com a Fera, já transformado em príncipe encantado, na pele de Jeff Bridges.

Annie Leibovitz / Disney Parks
Penélope Cruz, como Bela, e Jeff Bridges, como Fera

Queen Latifah aparece caracterizada como a vilã Ursula da "Pequena Sereia".

Annie Leibovitz / Disney ParksQueen Latifah ataca de Ursula

Fotos anteriores dessa campanha podem ser encontradas facilmente na net.


FOX ANUNCIA DATA DE "STAR WARS 3D"

Os fãs da Força podem ficar felizes.

A Fox Films anunciou a data de chegada aos cinemas dos filmes da saga "Star Wars" convertidos para o formato 3D.

O primeiro episódio chega aos cinemas americanos em 10 de fevereiro de 2012 - as informações foram divulgadas pela revista Variety.

As versões em 3D serão lançadas na ordem cronólógica da saga - o primeiro a chegar aos cinemas é "Episódio 1: A Ameaça Fantasma".

Relembre cenas do Episódio IV:


Prevenidos contra as críticas que vem sendo feitas às conversões de filmes convencionais para 3D, o estúdio disse em nota que "supervisionadas pela Industrial Light & Magic, a meticulosa conversão está sendo feita com o mais profundo respeito pelo material original, e com olhar atento tanto a considerações tecnológicas quanto intenções artísticas".

Vamos conferir.


DEPOIS DO OSCAR, HOLLYWOOD APOSTA NAS CONTINUAÇÕES

A partir agora, depois de uma temporada de premiações que culminou com o Oscar, começarão a ser exibidos nos cinemas norte-americanos projetos que pretendem ser os campeões de audiência de 2011 - entre esses títulos, boa parte são sequências.

Neste ano, há um recorde em vista: 27 filmes reaproveitarão personagens de sucesso já conhecidos, número maior que as 24 sequências lançadas em 2003 - ano, até então, recordista -, e que as 19 lançadas do ano passado.

Os dados foram divulgados pelo site especializado em bilheterias BoxOfficeMojo.

Arquivos do Klau

O letreiro ícone de Hollywood


Muitos sites especularam que este seria um sintoma da falta de criatividade que ameaça o futuro de Hollywood, mas a verdade é que as franquias cinematográficas são muito lucrativas para os estúdios.

Por isso, a Warner e a Summit enfrentam um desafio: "Harry Potter" e "Crepúsculo", as grandes fontes de lucros das empresas, estão em seus capítulos finais.
Para que os negócios continuem de vento em popa, é preciso de novas franquias.

A aposta da Warner recai nos super-heróis - "Lanterna Verde" e "Superman" -, enquanto a Summit já contratou roteiristas para escrever uma nova aventura para os personagens de "RED - Aposentados e Perigosos".

A tal crise criativa de Hollywood nada mais é do que um grande cuidado nos riscos que serão assumidos ao investir em produções: na hora de colocar o dinheiro em algum projeto, os investidores preferem algo que já tenha o respaldo de sucesso em outros meios.

Atualmente, o que faz rodar as engrenagens da indústria são as adaptações de livros, videogames, quadrinhos, brinquedos, seriados, e remakes - tanto que muitas dessas 27 sequências de 2011 têm suas origens em outras mídias.

Por outro lado, é possível perceber uma virada na situação da ditadura das adaptações: desde "Matrix" (1999), os cinéfilos ficaram anos sem presenciar o nascimento de um grande fenômeno cinematográfico que não fosse uma adaptação.

Apenas com "Avatar" (2009) é que houve alguma mudança, com a criação de todo um universo de personagens, fauna e flora que deve ser aprofundado nos próximos filmes, que chegarão às telonas a partir de 2014.

Para provar que a ficção científica de James Cameron não é um fenômeno isolado, menos de um ano depois de "Avatar", um novo fenômeno puramente cinematográfico chegou às telas e conquistou fãs rapidamente: "A Origem", de Christopher Nolan.

Até agora, não se fala que "A Origem" terá sequências, mesmo porquê Nolan estará ocupadíssimo em 2011 e 2012 com dois grandes projetos para a Warner: "Batman - The Dark Rises", que ele dirigirá, e "Superman: Man of Steel", projeto em que ele será produtor executivo e diretor criativo.

Mesmo assim, o sempre revolucionário Nolan já inspirou outras áreas: a Rede NBC anunciou nessa semana a produção do seriado "REM", claramente inspirado no mundo dos sonhos de "A Origem".

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ATÉ +!

quarta-feira, 2 de março de 2011

MARK WAHLBERG TERÁ RETROSPECTIVA DA CARREIRA NA "VANITY FAIR" DE MARÇO

Ele começou sua carreira numa boy band, virou cantor de rap de grande sucesso, e hoje é um dos principais atores de Hollywood.

A transformação de Mark Wahlberg, do reformatório ao ator realizado, mega-produtor, católico devoto e homem de família é o que conta a repórter Evgenia Peretz, na edição de Março de "Vanity Fair".

E as fotos que acompanham a matéria - já divulgadas pela revista - foram muito bem escolhidas.

Ele realmente é um dos homens mais bonitos de Hollywood atualmente.

Confira:

WireImage Rei BarryMark Wahlberg chegou à fama com o nome de Marky Mark, um cantor de rap - na foto com Funky Bunch - e seu hit de 1991,"Good Vibrations".

Annie Leibovitz - VF
Annie Leibovitz fotografou Wahlberg em Dezembro de 1993, para uma matéria para Vanity Fair.


Herb Ritts
Calvin Klein transformou Wahlberg em ícone masculino, ao assinar com ele um contrato de dois anos, em 1991, para sua linha de underwear e jeans.

© New Line Cinema / Coleção Everett
Patrick McGaw, Wahlberg e James Madio filmando "Diário de um Adolescente" (1995), estrelado por Leonardo DiCaprio.

© Corbis Sygma
Wahlberg com o elenco do filme "Boogie Nights - Prazer sem Limites" (1997). Eddie Adams (Dirk Diggler) foi o papel que mostrou que Wahlberg é um ator muito bom.

Coleção de Everett
Ice Cube, George Clooney e Wahlberg no set do filme "Três Reis" (1999 ), seu primeiro filme com o diretor Fighter e colaborador de longa data, David O. Russell.

© Corbis Sygma
Wahlberg como Bobby Shatford, na adaptação cinematográfica do livro de Sebastian Junger, "Mar em Fúria".

© Warner Bros / Coleção Everett
Wahlberg no filme "Rock Star" (2001).

Coleção de Everett
Wahlberg (no papel principal, originalmente interpretado por Charlton Heston), no remake de Tim Burton, "Planeta dos Macacos" (2000).

Annie Leibovitz para VF
Wahlberg na capa da edição de agosto de 2001 de VF

© Joshua Lott / Reuters / Corbis
O elenco da série da HBO "Entourage" com Wahlberg, em seu primeiro projeto como produtor, na estréia da quinta temporada da série, em setembro de 2008.
A partir da esquerda: Kevin Dillon, Adrian Grenier, Kevin Connolly, Jeremy Piven, Wahlberg, e Rex Lee.

© Fox Searchlight / Coleção Everett
Wahlberg, com a co-estrela Jason Schwartzman, no filme "Huckabees - A Vida é uma Comédia"(2004).

© Warner Bros / Colecção Everett
Wahlberg com Alec Baldwin, no filme de Martin Scorsese ganhador do Oscar "Os Infiltrados"(2006). Wahlberg ganhou sua primeira indicação ao Oscar com seu papel neste filme.

Macall B. Polay / Columbia Pictures / © Colecção Everett
Wahlberg com Will Ferrell no set do filme "Os Outros Caras" (2010)

Kevin Winter / Getty Images para o Producers Guild
Wahlberg com seu freqüente colaborador Steve Levinson. Os dois dividem os créditos de produção em quatro séries da HBO, incluindo o grande sucesso "Boardwalk Empire".

Whilden JoJo / © Paramount Pictures / Colecção Everett
Wahlberg interpretando Micky Ward em "O Vencedor" (2010), que foi indicado para sete prêmios da Academia, e deu o de Ator Coadjuvante para Christian Bale